A administração da dívida pública é mais complexa

Entre dezembro e janeiro, a dívida pública federal diminuiu de R$ 2,793 trilhões para R$ 2,749 trilhões, principalmente por causa do resgate líquido de R$ 73 bilhões em títulos expressos em reais. A queda sinaliza que o giro da dívida pública ficou mais difícil.

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 03h00

Houve mudanças na composição dos principais investidores em títulos públicos. As instituições financeiras reduziram sua participação na dívida de R$ 662,7 bilhões em dezembro para R$ 606,8 bilhões em janeiro (de 25,01% para 23,28%), segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal. Comparada a dezembro de 2014, a diminuição do peso dos bancos foi de quase 6,5 pontos porcentuais, de 29,77% para 23,28%. Ao mesmo tempo, os fundos de previdência privada aumentaram esse peso de 17,07% para 22,49% (+5,4 pontos porcentuais) e também houve uma pequena elevação da participação dos investidores estrangeiros, de 18,64% para 18,91%.

O custo da dívida pública continuou crescendo, de 16,08% ao ano em dezembro para 16,44% ao ano em janeiro. Tanto a dívida interna quanto a externa tiveram seu custo elevado. A valorização do dólar foi de 3,53% em janeiro – e o impacto só não foi maior porque a dívida mobiliária externa é de apenas R$ 142,9 bilhões, pouco mais de 5% da dívida total em poder dos investidores.

Em janeiro, 54,5% das colocações foram de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), corrigidas pela taxa Selic. Mas desde o ano passado a tendência é de as LFTs serem colocadas com algum deságio, indicando maior dificuldade nas vendas desses títulos.

O aspecto mais favorável foi o alongamento do prazo médio da dívida em poder do público, de 4,57 anos em dezembro para 4,76 anos em janeiro. Em contraposição, o porcentual de vencimentos nos próximos 12 meses, ou seja, no curto prazo, aumentou de 21,56% em dezembro para 22,69% em janeiro. Isso significa que o Tesouro terá de redobrar os esforços de colocação de dívida. Cerca de 3/4 dos vencimentos em até 12 meses são de papéis prefixados, usualmente os preferidos dos investidores externos.

A complexidade da administração da dívida relaciona-se com as dimensões da dívida bruta, que passou dos 67% do Produto Interno Bruto em janeiro e deverá superar os 70% do PIB neste ano. Sem reduzir o déficit público – com impacto positivo sobre a dívida –, o Tesouro tem de pagar juros altos para girar a dívida, o que não bastou em janeiro.

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