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A Alemanha vai bem

Enquanto o resto da Europa desperta temores no FMI, nos Estados Unidos e na China e despenca sob o peso dos déficits públicos - fabricando multidões de desempregados em lugar de automóveis, além de prever que seu Produto Interno Bruto (PIB) cairá 3% em 2013 -, a Alemanha permanece na liderança.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2013 | 02h08

Os números falam por si: em 2012 a França apresentou um déficit que representou 4,8% do seu PIB. Nesse período, a Alemanha contabilizou um superávit de 2,2 bilhões, deixando exasperados seus rivais franceses.

É verdade que este ano Berlim prevê uma desaceleração do seu crescimento (entre 0,8% e 0,5% apenas), mas em 2014 a Alemanha apresentará margens mais confortáveis. O crescimento deverá ser de 1,9% em 2014, índice suficiente para o desemprego recomeçar a cair.

A chanceler Angela Merkel pode se vangloriar e olhar de cima todo o mundo, especialmente os franceses, que lhe dão conselhos para mudar sua política de austeridade e promover uma política de "retomada". Será com o coração tranquilo que Angela Merkel enfrentará seu próximo teste político: as eleições legislativas em setembro, daqui a seis meses.

Entretanto, mesmo com um nível de popularidade recorde, a chanceler tem algumas preocupações. A primeira delas chama-se "marco", a moeda alemã que foi substituída pelo euro.

Nada a ser feito: muitos alemães lamentam a perda do vigoroso marco, que era ao mesmo tempo seu orgulho e seu conforto, sobretudo porque foi substituído por essa moeda "apátrida", o euro, que permite aos países mais frágeis da Europa (Grécia, Itália, Espanha, etc) sugarem a Alemanha.

Um partido acabou de ser fundado na Alemanha para defender o retorno do marco: o AfD (Partido Antieuro Alternativo para a Alemanha). Um partido novo, que nasce forte. Uma pesquisa realizada pelo jornal Bild indica que 5% dos eleitores votariam nele. Uma semana antes, eram apenas 2%.

Não sabemos ao certo de onde provêm os simpatizantes da nova agremiação. Sem dúvida de uma parte da União Democrata Cristã, partido de Angela Merkel. Nesse caso, e se a fuga de eleitores da CDU se acentuar, ou se o AdF conseguir diminuir a taxa de adesão ao pequeno partido liberal para menos 5%, então a esquerda estaria em posição de vencer. Não é uma hipótese insana. A própria chanceler já fez menção a isso.

Enfim, mais uma preocupação em vista: a Europa, enferma e fragilizada, está cada vez mais enfurecida com a austeridade que a chanceler alemã impõe não apenas ao seu país, mas aos outros membros da zona do euro.

Ora, como ao mesmo tempo os economistas americanos começam a afirmar que a política de "total austeridade" adotada por Angela Merkel é um erro estratégico que explica a letargia na qual a Europa se encontra, podemos prever rudes discussões entre Merkel e seus amigos ministros europeus.

Tradução de Terezinha Martino.

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris.
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