"A América Latina sumiu do mapa dos investidores europeus"

Um dos principais eventos do calendário europeu para o mercado de bônus, o congresso Euromoney Bond Investors, encerrado nesta quarta-feira em Londres, deu indicações claras de que a América Latina enfrentará sérias dificuldades para atrair o interesse dos investidores ao longo dos próximos meses. Com exceção do México, os países da região foram ignorados durante o encontro, com exceção das frequentes menções à crise argentina. "A América Latina sumiu do mapa dos investidores europeus", disse uma analista brasileira presente ao evento. "Fiquei muito preocupada, reforçaram-se as dúvidas sobre a capacidade de o Brasil captar os recursos externos necessários para este ano."Isso não significa que os investidores que participaram do congresso estejam refratários aos emergentes em geral. Ao contrário. A maioria aponta o desempenho das dívidas dos emergentes como um dos mais positivos no ano passado, uma tendência que deve continuar em 2002.Mas quando questionados sobre quais desses mercados se mostram mais atrativos, os investidores apontam os países do leste europeu, a Rússia e o México. A crise argentina certamente contribuiu para esse crescimento da aversão ao risco latino-americano. Apesar do contágio financeiro, por enquanto, ter se limitado ao Uruguai e a maioria dos analistas elogiar o descolamento do Brasil, a incerteza ainda predomina.O diretor do Morgan Stanley Asset Management, David Germany, por exemplo, disse que a economia brasileira apresenta fundamentos bem diferenciados dos da Argentina, é gerenciada por uma equipe "muito competente" e o mercado sabe disso. Mas ele observa que as perspectivas para os papéis brasileiros vão depender, em parte, de como o governo argentino vai tratar os investidores externos na renegociação da dívida. "Se houver problemas nesse processo, o resultado poderá ser negativo", disse. Além disso, Germany disse que é preciso ficar atento ao impacto que a desvalorização do peso poderá ter sobre as exportações brasileiras.Já o chefe de do departamento de renda fixa global do banco alemão Oppenheim Asset Management, Christof Kessier, não esconde seu pessimismo com o Brasil e acredita que o País poderá sofrer um "contágio retardado" da Argentina.Ele também menciona a desvalorização do peso como um fator negativo para a economia brasileira. "Além disso, há ainda uma série de riscos na economia global que podem ter um impacto no País, os investimentos diretos estrangeiros vão despencar", disse. "Acho que as pessoas estão otimistas demais no Brasil."

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