"A ansiedade do mercado será revertida", afirma Malan

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou estar confiante que a ansiedade do mercado será revertida, pois os fundamentos da economia brasileira são os mesmos desde o início do ano. Malan atribui o aumento do risco País a causas estruturais, como o aumento do grau de inadimplência dos bônus corporativos dos EUA, que triplicou nos últimos doze meses e fez com que houvesse um aumento da aversão a riscos nos mercados emergentes. Numa alusão ao PT e a seu candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, Malan disse que tem visto alguns partidos se apresentando como "em mudança", mas advertiu que estas mudanças precisam ser "críveis" e ter credibilidade, como ocorreu com o Partido Trabalhista inglês, que mudou após debate de mais de seis anos. O ministro participa do XII Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB 2002), que acontece no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Segundo Malan, é preciso que os partidos apresentem documentos sobre o seu programa, cobrou Malan, com manutenção da estabilidade de preços e responsabilidade fiscal, que são exigências da maioria dos brasileiros. Ainda numa referência ao PT, ele afirmou ainda que um "sonho, sem aliança e sem projeto, não se sustenta". O ministro disse ainda esperar que os partidos mantenham a conquista da estabilidade econômica, com liberdades individuais, justiça social e eficiência produtiva, "que caracterizam os países desenvolvidos". Malan reafirmou que as condições primordiais para o crescimento são de ordem monetária, fiscal e cambial. Por isso, afirmou ele, é necessário que essas condições sejam respeitadas num próximo governo, seja qual for o líder da nova administração. Ele lembrou que nos últimos quinze trimestres o governo conseguiu cumprir suas metas de superávits fiscais e que a elevação recente desta meta, de 3,5% para 3,75%, deverá ser também alcançada sem problemas no próximo ano. O ministro diz também que esta meta está em linha com o crescimento do PIB em torno de 4% para os próximos anos, e que ela garante a diminuição da dívida/PIB. Para isso, destaca o ministro, é preciso que no próximo governo sejam respeitados o regime fiscal, a LDO e os contratos preestabelecidos. Malan, disse também que a relação dívida/PIB é perfeitamente administrável e declinante ao longo do tempo. Quanto ao regime monetário, o ministro ressaltou que o regime de metas de inflação está a cima de todas as outras metas estabelecidas pelo atual governo. De acordo com ele, não há outra saída para o bom andamento da economia senão a estabilização dos preços. Quanto ao regime cambial, o ministro diz estar certo de que há uma convergência no sentido da taxa de câmbio flutuante. Para ele, a grande questão agora são as intervenções do Banco Central no mercado cambial, o que na opinião dele, deveriam ser exceções e não regra, já que a flutuação do câmbio é parte integrante do ajuste do balanço de pagamentos.

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