A arrecadação não mostra desaceleração econômica

Contrariando a visão das autoridades monetárias, a arrecadação das receitas do governo federal não assinalou nenhuma desaceleração da economia em julho, nem nos sete primeiros meses do ano. Nesses sete meses, as vendas cresceram 14,5%; a produção industrial, 16,5%; e a massa salarial, 11,2% - desempenho favorável às receitas do governo federal, que em termos reais (deflator IPCA) apresentaram crescimento de 12%.

, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

A melhoria dos salários, o crescimento dos investimentos que aumentaram o nível do emprego e a elevação das importações compensaram largamente a perda decorrente dos estímulos fiscais.

Com arrecadação de R$ 67,973 bilhões e com um resultado superior em 10,5% ao do mês anterior, o mês de julho teve o melhor resultado do ano, comprovando que não houve a menor desaceleração da economia nesse período. E o governo, com uma receita de R$ 447,464 bilhões nos sete primeiros meses do ano, registra um aumento real de 6,6% em relação ao mesmo período de 2009, que representa um desempenho que muitos países gostariam de compartilhar.

Mas é interessante examinar em que medida os tipos de receitas refletem a prosperidade da população. O maior crescimento que se nota é o das receitas da Cide-Combustível, que nos sete primeiros meses subiram 139,7% em relação ao mesmo período de 2009, quando, a partir de junho, a alíquota havia sido aumentada. O crescimento das vendas de carros e da sua utilização pelos compradores, em razão da melhoria dos rendimentos, explica essa evolução.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com receita de R$ 14,4 bilhões, apresentou aumento de 33,8%, assinalando a ativação das operações financeiras. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com R$ 15,2 bilhões, cresceu 25,2%, mas convém notar que a receita de IPI vinculado à importação, de R$ 17,3 bilhões, acusa aumento de 18,1%, o que reflete uma mudança em nossa economia.

É certamente a arrecadação do PIS-Cofins que melhor reflete a evolução das vendas: R$ 97,3 bilhões, com crescimento de 16,7%.

Os únicos impostos que acusaram redução foram o de renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), com queda real de 0,7%. Mas se referem ao ano anterior, que foi de crise.

O governo anuncia que tomará medidas para manter a arrecadação em nível adequado. Elas deveriam visar a uma redução da carga tributária, o que, certamente, não é a opinião do governo.

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