A arte de fazer o patrimônio crescer
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A arte de fazer o patrimônio crescer

Tolerância à perda passa pelo momento de vida do investidor

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 07h30

Obter o melhor retorno possível para fazer seu patrimônio crescer. Esse é um dos principais objetivos dos investidores que têm um perfil arrojado. Para alcançar a meta de ter um retorno maior, eles estão dispostos a enfrentar mais os riscos. “Um investidor arrojado é aquele que está mais confortável em assumir risco em seu investimento, esperando que dessa maneira obtenha performances futuras superiores”, define Filipe Ferreira, diretor da Comdinheiro.

Esse tipo de classificação, explica Ferreira, está muito associado à tolerância do investidor à perda, o que é em grande parte atrelado a uma característica pessoal. “Para alguns, imaginar uma aplicação que não esteja sempre no azul é motivo para noites em claro. Para outros, perder 30% ou 40% do seu capital pode ser tolerável”, exemplifica o diretor da Comdinheiro. “Isso não quer dizer que a predisposição à perda não possa mudar ao longo da vida. Seu nível de reserva financeira, folga no orçamento e planos do momento podem afetar sua tomada de risco. Por isso, se conhecer e ter ciência de seu momento de vida é fundamental na escolha do investimento”, aconselha o especialista.

Regina Prataviera, sócia da HCI Invest, concorda que o perfil do investidor deve estar relacionado também ao momento de vida da pessoa e avalia que mesmo quem tem perfil arrojado deve distribuir os recursos em todas as classes de ativos: “5% em prefixado, 1% em pós-fixado, 10% inflação, 25% multimercados, 35% em renda variável (fundo de ações, por exemplo) e 24% em ativos internacionais, fundos com estratégia de investimento no exterior”, sugere Regina.

Ela reforça que esse investidor tem uma tolerância maior aos riscos e à oscilação de mercado em busca de maior retorno. “Abre mão da previsibilidade, sabe como os ativos de risco se comportam e tem horizonte de longo prazo”, diz Regina, ao afirmar que, diante do cenário de juros baixos, os Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) muitas vezes não estão remunerando nem a inflação. “E isso é perder dinheiro. Tem que buscar juro real e a possibilidade de a carteira render acima da inflação”, explica Regina.

Bruna Amalcaburio, analista de investimentos da Top Gain, comenta que, geralmente, as pessoas que se enquadram no perfil arrojado têm a vida financeira mais estável, são poupadores (superavitários) e têm valores disponíveis na reserva de emergência e no caixa de oportunidade. “Alguns pontos que podemos identificar no perfil arrojado são o foco no longo prazo, conhecimento sobre investimentos, assumir riscos maiores em busca de rendimentos maiores e ter maior porcentual da carteira alocado em renda variável”, diz Bruna.

Os investidores com maior apetite costumam ter uma carteira diversificada entre produtos de renda fixa de pré e pós-fixados como CDB, títulos do tesouro e LCI. “A maior parte da carteira de um investidor arrojado, entretanto, é feita por meio da renda variável, não somente investimento em ações, mas fundos imobiliários, fundos de investimento, ETF e investimentos vinculados ao exterior (câmbio e dólar).”

Ao investir em fundos arrojados, explica a analista, existe uma disposição em aceitar uma volatilidade maior na busca por uma rentabilidade que no longo prazo também seja significativa. Lembrando que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. “Minha dica para quem quer começar a buscar investimentos com maior risco é estudar o tipo de investimento desejado, pois a melhor maneira de mitigar o risco é conhecê-lo.”

Montante investido não define perfil

O fato de o investidor ser arrojado não está ligado ao montante que ele tem para investir, explica Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo. “O cliente pode não ter um grande volume para investir, mas ter um perfil arrojado, porque está disposto a assumir risco e abrir mão de liquidez por um retorno melhor”, diz Franchini. “Mesmo o investidor arrojado não pode colocar 100% dos seus recursos em investimentos de risco. Valores da reserva de emergência, por exemplo, devem ser alocados na renda fixa”, aconselha.

Pelo fato de haver no mercado muitos produtos de investimento com tíquete médio bastante pequeno Regina Prataviera, sócia da HCI Invest, concorda que a quantidade de dinheiro não define o perfil do investidor. Segundo ela, além da disposição pelo risco, o período em que uma certa quantia ficará rendendo também é importante. “O prazo do investimento também define se um investidor é arrojado.”

O lado emocional também é importante quando se decide onde colocar o dinheiro para render, afirma o professor e fundador do projeto 10% Escola de Traders, André Machado. Querer ganhar muito em pouco tempo pode até ocorrer, mas é bastante raro, segundo o empresário.

Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto Investimentos, lembra que há muitos caminhos para os chamados investidores arrojados. “As opções são diversas e, apesar de os fundos poderem ser classificados de acordo com o nome, nem sempre eles podem ser comparados, porque investem em ativos com características diferentes.”

As principais características do arrojado

O investidor arrojado assume risco e pensa em longo prazo, mas existem outras características também presentes, conforme o Paraná Banco:

1 Assume riscos em busca de altos rendimentos

Um dos atributos mais notados em investidores classificados como agressivos ou arrojados é o fato de assumir riscos maiores, já que esperam altos rendimentos. Ou seja, o foco dessas pessoas é obter o melhor retorno possível para fazer seu patrimônio crescer.

2 Tem um porcentual maior da carteira em renda variável

Outra característica bastante comum é que ele tem um porcentual considerável da sua carteira aplicado em renda variável — priorizando, assim, a rentabilidade do investimento. No entanto, até mesmo os investidores arrojados devem ter uma parcela dos seus investimentos alocada em opções mais conservadoras. Elas servem para formar uma reserva de emergência de boa liquidez e atender aos seus objetivos de curto prazo.

3 Foca o longo prazo

Os objetivos do investidor com esse perfil são principalmente de longo prazo. Logo, sua carteira pode estar passível à volatilidade durante o período de aplicação.

4 Corre riscos calculados

Apesar de ter um apetite pelos investimentos arriscados, o investidor arrojado tem plena consciência das alternativas que escolhe e corre apenas riscos calculados, tendo a certeza de que elas estão de acordo com seu planejamento de longo prazo.

5 Mantém a calma

É um investidor que tem sangue-frio perante as oscilações do mercado, lidando de forma mais calma com os riscos de suas aplicações. Ele sabe que no curto e no médio prazo o saldo da sua carteira vai oscilar. Contudo, seu foco está no longo prazo. Por isso, esse investidor não se assusta com perdas temporárias e visa à consistência de longo prazo que trará maiores rentabilidades.

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