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A ata é do governo, não do Banco Central

Cenário: Sergio Vale

É ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h03

Os documentos sobre inflação do Banco Central têm causado mais atenção do que deveriam. Em outras situações haveria convergência de mercado, uma quase unanimidade em relação ao que se quis dizer e sobre seus próximos passos. Mas, nos últimos dois anos, o que se tem visto é uma dificuldade frequente da instituição em ser clara em seus comunicados. Novamente, muita gente esperou que a Selic chegasse a 9% e ficasse por aí, algo escrito explicitamente na penúltima ata. Agora, o BC volta a deixar de lado o que considerou e abre espaço a nova queda em junho. É uma ata de governo, não de Banco Central.

A questão é que estão dispostos a testar os limites de baixa nas próximas reuniões. Politicamente, o governo Dilma está com a intenção de ser lembrado como o governo que mais baixou a taxa de juros. Mais politicamente ainda, deve estar preocupado por entregar seus dois primeiros anos com a segunda pior média de crescimento da história recente, só não perdendo para o período Collor.

Com isso, não se quer dizer que o BC esteja fazendo uma análise errada. Ao contrário, a ata trouxe sua percepção de um cenário internacional pior do que se esperava no ano passado e a importância desinflacionária disso. O problema é que se mantém a percepção de atuação focada no curto prazo. Por mais que mercado e os modelos do BC sinalizem uma inflação em aceleração em 2013, mantém-se uma visão que parece olhar só os próximos meses. Com a ajuda da crise global, até agora essa tática tem funcionado, mas ela também coloca névoa na visão míope do governo, que força o crescimento, novamente baseado em estímulos à demanda apenas, trazendo o IPCA de novo ao teto da meta de 2013.

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