A atividade imobiliária em tempos de transição

Os últimos dados relativos à atividade imobiliária são bastante negativos. A produção e as vendas de imóveis novos no maior dos mercados do País - São Paulo e região metropolitana - voltaram a ser negativas em fevereiro, segundo o sindicato da habitação (Secovi). O Índice de Atividade da Construção Imobiliária (Iaci), preparado pela consultoria Tendências e pela empresa de pesquisa de mercado Criactive, novamente mostrou recuo em março. Intensificou-se, segundo o Iaci, "a trajetória de queda da metragem total em construção observada nos últimos meses, evidenciando o enfraquecimento da atividade do setor". Também os levantamentos mensais da Fundação Getúlio Vargas e da Confederação Nacional da Indústria mostram piora dos dados conjunturais.

O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2015 | 02h04

O Iaci, um indicador nacional, confirma que persiste a reversão de expectativas, depois da fase de euforia do mercado registrada até 2012. Houve queda da metragem construída de 1,4%, entre fevereiro e março, e de 12,5%, em relação a março de 2014, eliminada a sazonalidade.

Cabe lembrar que se trata de um segmento cujo ciclo produtivo é longo e cuja atividade se irradia na economia, influenciando os fornecedores de insumos, os prestadores de serviços, dos projetos às atividades de corretagem, o emprego e a formação de capital.

Não se pode falar em esgotamento do mercado imobiliário, mas este depende do ritmo de crescimento econômico, da renda, do emprego e das expectativas. Todos esses fatores se deterioraram e não há, pois, como evitar a estagnação.

Mas este também poderá ser o momento de oportunidades. Os preços dos imóveis se estabilizam ou declinam, segundo a pesquisa mensal FipeZap. Investidores de longo prazo já avaliam a aquisição de propriedades bem localizadas e onde há oferta de serviços públicos. Investidores internacionais estudam o mercado do País, ainda que a retomada pareça distante.

O imóvel próprio continua no radar das famílias e das empresas. A cada ano, dezenas de milhares de famílias são constituídas, mais indivíduos entram no mercado de trabalho e demandam habitação, de preferência, próxima de onde exercem as atividades profissionais.

O Summit Imobiliário Brasil 2015, organizado pelo Estado e pelo Secovi, ocorreu num momento em que as empresas reavaliam sua atuação e os compradores buscam conciliar suas necessidades com sua capacidade financeira.

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