A batalha pelo domínio das telas gigantes

Redes de cinema americanas criam novas opções de salas com grandes telas para desafiar a hegemonia do Imax no segmento

BROOKS BARNES , THE NEW YORK TIMES , LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2014 | 02h06

Na superfície, tudo não passa de um antigo jogo de negócios. O Cinemark, terceira maior rede de cinemas dos Estados Unidos, vem promovendo o crescimento de sua rede de salas com telas extragrandes, e o Imax, que dominou o formato com exclusividade durante décadas, reagiu mostrando as garras.

"O público dos cinemas adora nossas telas de formato gigante, e os estúdios estão reparando no resultado impressionante", disse Timothy Warner, diretor executivo do Cinemark. Richard L. Gelfond, diretor executivo do Imax, respondeu: "Ao ampliar um filme e exibi-lo numa tela maior sem a tecnologia adequada, que é o que estão fazendo, o resultado é uma imagem borrada e piorada."

Mas, ao deixarmos de lado a guerra verbal, vem à tona um panorama mais complicado - que envolve menos uma ameaça comercial a um Imax ainda em crescimento, e mais o desespero das grandes redes para crescer nos EUA e Canadá, onde o público de cinema vem diminuindo há uma década.

"O Cinemark e as demais redes perceberam que o público que frequenta os cinemas nos EUA não vai aumentar no longo prazo e, por isso, precisam arrecadar mais com os mesmos clientes", disse Townsend Buckles, analista de mídia da JPMorgan Securities. "Acrescentar telas em formato maior e outras características especiais a um preço mais alto é uma estratégia inteligente."

O Imax começou como uma curiosidade, mas hoje tornou-se um nome de peso em 58 países. Suas telas são tão populares na China que, quando os chineses concordaram em permitir a exibição de mais filmes de Hollywood no país, funcionários do governo elegeram o Imax para receber tratamento mais flexível dos censores.

No ano passado, o Imax alcançou a marca de US$ 727 milhões em vendas de ingressos, alta de 17% em relação a 2012.

Os cinemas de formato extragrande, sejam do Imax ou de outra marca, têm crescido apesar da desconfiança do consumidor em relação ao formato 3D (cerca de 75% dos lançamentos do Imax são em 3D.)

Analistas destacam que esses cinemas oferecem muito mais do que telas extragrandes. Costumam ter também sistemas de som um pouco melhores e poltronas mais confortáveis.

O Cinemark teve lucro de US$ 148,5 milhões no ano passado, queda de 12% sobre o ano anterior. Já o Imax teve lucro de US$ 44,1 milhões, aumento de 7% sobre 2012.

Por mais que o Imax deseje ficar com o mercado das telas extragrandes apenas para si, "há espaço para ambos", disse Phil Contrino, analista chefe do BoxOffice.com. "As grandes redes buscam oferecer uma experiência muito superior àquela que o consumidor encontra em sua sala de estar."

A Cinemark Holdings e as duas maiores redes de cinemas dos EUA, Regal Entertainment e AMC Entertainment, operam juntas centenas de auditórios Imax, que usam uma tecnologia específica para projetar filmes em resolução altíssima sobre telas que vão do teto ao chão.

Preços. Os frequentadores pagam entre US$ 3 e US$ 5 a mais ao optar por este formato. O Imax cobra uma taxa de seus parceiros de rede que chega a cerca de 20% da bilheteria.

Cinco anos atrás, as redes - lideradas pelo Cinemark - começaram a usar tecnologia digital disponível no mercado para construir seus próprios cinemas em formato extragrande, operados por um amplo leque de marcas, incluindo BigD, ETX, Prime, RPX, UltraAVX e XD.

Assim como no Imax, os frequentadores pagam mais para assistir aos filmes nessas salas. Diferentemente do Imax, as redes não precisam compartilhar a renda com outro exibidor. Há atualmente 365 salas Imax fora de museus na América do Norte.

Juntas, as redes operam 325 de suas próprias telas em formato extragrande. O Cinemark começou a se referir a um novo grupo de cinemas de tela gigante como PLF, sigla de 'Premium Large Format', algo que pode ajudar a resolver o problema (ou não).

No semestre passado, como parte de uma iniciativa para convencer os estúdios a incluir o marketing dos PLFs em seus trailers, como já ocorre com o Imax, o Cinemark contratou uma empresa de relações públicas, a 42West, para promover uma bilheteria maior para a rede de rótulos privados. Em 2013, o circuito PLF arrecadou US$ 237 milhões, alta 31% sobre o ano anterior.

"Estamos muito mais concentrados no crescimento da nossa própria marca", disse Ryan Williams, do Cinemark, que está construindo cinemas extragrandes em outros países, com foco especial na América Latina.

Alguns estúdios, entre eles o 20th Century Fox, têm ajudado a ampliar a rede PLF. Um dos motivos envolve o desejo de vender mais filmes como eventos imperdíveis. Os estúdios acreditam que o selo Imax no material de marketing de um filme confere a este uma posição geral melhor. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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