Sergio Castro/Estadão
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A batalha por um emprego

Desempregados vão em busca de oportunidades para se recolocarem no mercado de trabalho

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2015 | 05h00

'QUERIA UMA VAGA NA MINHA ÁREA', diz Deuzenira de Albuquerque, desempregada há 6 meses

A estudante de administração Deuzenira Ferreira Albuquerque, de 28 anos, está desempregada há seis meses. Ela trabalhava no caixa financeiro de uma montadora e ganhava R$ 1.600 por mês. “Queria uma vaga na minha área, mas estou me candidatando a fiscal de loja, pelo menos para não ficar sem nada neste fim de ano”, diz. Na sexta-feira, Deuzenira foi ao Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, em busca de uma das 7 mil vagas oferecidas na Semana do Trabalho, Emprego e Renda, organizada pela Prefeitura de São Paulo. Por cinco dias, milhares de desempregados formaram longas filas ainda na madrugada e esperaram horas pela chance de uma vaga pré-aprovada em uma das 50 empresas recrutadoras participantes.

'MANDO CURRÍCULO TODOS OS DIAS', diz Iago Ferreira de Souza, desempregado há 5 meses

Em São Paulo desde agosto, o estudante cearense de odontologia Iago Ferreira de Souza, de 21 anos, procura uma vaga na área da saúde. No Ceará, trabalhava como atendente em um consultório, mas foi dispensado. Ele acreditava que encontraria mais oportunidades na capital paulista. Porém, além da dificuldade para achar uma vaga, se deparou com um custo de vida muito maior do que imaginava. “Tenho mandado currículos todos os dias, me cadastrado em agências, mas por enquanto não consegui nada”, conta Souza, que mora com um amigo em Guarulhos. “Além disso, meus gastos aumentaram mais de 50%.” Ele foi ao feirão buscando um posto na área da saúde, mas não encontrou. “A única vaga que achei foi para atendente, mas estou topando tudo.” 

'VOU TER DE ADIAR OS MEUS PLANOS', diz Juliana Barros, desempregada há 2 meses

Em 2015, Juliana Barros, de 20 anos, teve de adiar alguns planos, como começar a faculdade de design gráfico e tirar a carta de habilitação. Há dois meses, foi dispensada da empresa de telemarketing em que trabalhava. “Foi uma leva muito grande de demissões. Era uma terceirizada e a empresa do setor de seguros não renovou contrato”, conta. Juliana, que ganhava R$ 1.200, se candidatou na área em que trabalhava e também como operadora de loja. “Não acho que esse problema com o emprego vai acabar tão cedo, ainda deve piorar um pouco”, diz. Ela mora de aluguel com o marido e vai apertar ainda mais as contas em casa. “Por causa da crise, você tem que se planejar novamente, cortar os gastos e adiar os planos.”

'SONHO EM EXERCER MINHA PROFISSÃO', diz Salomão Diallu, desempreago há 3 meses

Nascido na Guiné, faz um ano que o jovem Salomão Diallu, de 25 anos, deixou sua família e veio ao Brasil em busca de melhores oportunidades. Ele, que mora com amigos na zona norte da capital paulista, conseguiu um emprego em uma fábrica de carros, como ajudante geral, ganhando R$ 1.250 por mês. Há três meses, no entanto, foi dispensado. Na feira, o africano buscava ofertas de emprego na área de serviços – embora seja graduado em Direito em seu país. “Aqui no Brasil é muito difícil validar o diploma. Na Guiné, estudei três anos, e aqui o curso é de cinco. Mas eu teria de recomeçar”, diz. Apesar de afirmar que topava qualquer vaga para voltar ao mercado, o sonho persiste: “Quem sabe em dia não posso exercer minha profissão aqui?”

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