Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

A Bitcoin não é mais a única criptomoeda disponível

O mercado das criptomoedas enlouqueceu, e apesar de todo o foco na bitcoin, sua capitalização hoje representa apenas um terço do mercado

The Economist

12 Janeiro 2018 | 11h27

Tudo começou como uma piada. A Dogecoin foi lançada em 2013 como paródia da bitcoin, usando como mascote o cãozinho da raça Shiba inu, um meme popular na Internet. Nunca foi realmente usada, salvo para pagamentos online e um dos seus fundadores acabou desistindo dela. Mas recentemente seu valor disparou: em sete de janeiro o valor em dólar de todas as Dogecoins em circulação alcançou a soma de US$ 2 bilhões, sinal de como os mercados das criptomoedas enlouqueceram. E também um lembrete de que, apesar de todo o foco na bitcoin, ela não é mais a única moeda disponível. Sua capitalização de mercado hoje representa somente um terço do criptomercado.

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Uma nova criptomoeda nasce quase que diariamente, muitas vezes por meio de uma ICO (oferta inicial de moeda), um tipo de financiamento coletivo online. O website CoinMarketCap, listou cerca de 1.400 moedas digitais ou tokens, incluindo a UFO Coin, PutinCoin, Sexcoin e InsaneCoin (equivalente a US$ 7 milhões). Muitas não são mais do que curiosidades, mas em 10 de janeiro, cerca de 40 delas tinham uma capitalização de mercado de mais de US$ 1 bilhão.

A primeira da lista, depois da Bitcoin, é a Ethereum, que atingiu uma capitalização de mercado de US$ 137 bilhões. O motivo da sua fama é que ela é também uma plataforma para “contratos inteligentes” – regras comerciais condensadas em software. Muitos tokens de ICOs, por exemplo, são emitidos por esse tipo de contrato. Seu sucesso tem atraído outras imitações: Cardano (US$ 20 bilhões) e NEO (US$ 8 bilhões), uma versão chinesa.

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A Ripple também vem desafiando a gravidade e é muito popular na Coréia do Sul, que esta semana agitou os criptomercados com planos de proibir negociações de câmbio com ela. A Ripple disponibiliza software para movimentação de dinheiro entre países: mais de 100 bancos aderiram à tecnologia baseada numa moeda chamada XRP. Sua capitalização de mercado saltou mais de 40.000% em 2017, alcançando quase US$ 149 bilhões em quatro de janeiro, antes de uma queda para US$ 78 bilhões. O que ainda deixa Chris Larsen, co-fundador da Ripple um dos homens mais ricos do mundo, pelo menos em papel digital.

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Moedas menos conhecidas também estão criando asas. Monero (US$ 6 bilhões) e a Zcash (US$ 2 bilhões) focam na privacidade. Stellar (US$ 9,8 bilhões) desenvolveu um sistema de transferências de fundos mais barata que é usado por entidades beneficentes, particularmente em países pobres. IOTA (US$ 10,1 bilhões) permite que máquinas conectadas troquem informações e pagamentos em segurança. E temos ainda a Bitcoin Cash (US$ 46 bilhões) cujos fundadores romperam com a bitcoin em agosto de 2017 porque não estavam satisfeitos com a maneira como era administrada.

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Algumas dessas moedas poderão um dia substituir a bitcoin como moeda de reserva no mundo das criptomoedas, o que alguns conhecedores do assunto chamam de “flippening”? Diante dos problemas de governança da bitcoin (outra “bifurcação” ou divisão pode estar no horizonte)  e a capacidade limitada (uma transação hoje implica quase US$ 30, em media, de taxas) isto não pode ser excluído. Mas as outras moedas também têm problemas. As taxas para o usuário da Ethereum dispararam e o sistema de novo apresentou imprevistos técnicos. Como no caso da Ripple, alguns questionam a forma como os XRPs são realmente usados.

Não importa o que venha a ocorrer, o mercado só vai ficar mais congestionado. A Kodak, vítima arquetípica da revolução digital, pretende entrar no criptomercado: em nove de janeiro a companhia anunciou que vai lançar uma moeda que permitirá aos fotógrafos cobrarem por seus trabalhos. Mais ambiciosa será a ICO do serviço de mensagens Telegram, com 180 milhões de usuários: a empresa espera levantar US$ 1,2 bilhão e lançar um token chamado Gram que poderá ser usado pagar uma série de serviços, desde armazenamento online até redes privadas virtuais.

Mesmo o Facebook começa a pensar em criar um token. Caso a maior rede social do mundo venha a lançar sua moeda, a liderança da bitcoin pode estar com seus dias contados./TRADUZIDO POR TEREZA MARTINHO

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