‘A Bolsa estava barata, faltava uma melhora de confiança’, diz gestor da Garde

‘A Bolsa estava barata, faltava uma melhora de confiança’, diz gestor da Garde

Para Leite, da Garde, a vantagem do candidato do PSL fez prevalecer o resultado das empresas, que, em sua avaliação, já justificavam uma valorização do Ibovespa

Entrevista com

William Leite

Pedro Ladislau Leite, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 06h00

Desde maio, quando despencou durante a greve de caminhoneiros, a Bolsa não fechava um pregão acima dos 85 mil pontos. O patamar foi recuperado na semana passada, em meio à liderança de Bolsonaro na corrida presidencial. Para William Leite, responsável pela renda variável da Garde, a vantagem do candidato do PSL fez prevalecer o resultado das empresas, que, em sua avaliação, já justificavam uma valorização do Ibovespa.

O gestor afirma que o mercado de ações ainda pode ser uma oportunidade para o investidor, desde que se tenha um prazo mais longo. A seguir, trechos da entrevista.

Há um otimismo excessivo?

Achamos que há um fundamento sólido para essa alta da Bolsa. Quando olhamos para o fundamento das empresas listadas, temos visto algumas revisões relevantes de lucro causadas em parte por conta do preço de commodities, mas também por conta de um melhor desempenho operacional. Com base nos últimos balanços e análises macroeconômicas, a expectativa quanto aos resultados melhorou. Com isso, víamos a Bolsa num preço barato, mas faltava apenas uma melhora de confiança para que ela tivesse melhor performance.

O bom humor levou a Bolsa ao pico ou ainda vê espaço para alta?

O mercado já precifica uma vitória de Bolsonaro. Porém, ainda há espaço para uma alta adicional com o início do governo, quando as reformas começarem a serem discutidas. Mas ainda é preciso ter mais clareza sobre o que será feito.

Até onde acredita que a Bolsa pode subir e até onde pode cair?

Num cenário otimista, em que o novo presidente consiga aprovar as reformas necessárias, os juros fiquem num patamar baixo e o País volte a crescer num ritmo mais acelerado, poderia ir para 110 mil pontos. Isso, é claro, se não houver nenhuma turbulência maior vinda do exterior. Num cenário mais pessimista, em que o novo presidente não consiga aprovar as reformas e o País continue nesse ritmo mais lento, acreditamos que a Bolsa ficaria perto dos 75 mil pontos. 

Faz sentido para o investidor entrar agora?

Achamos que ainda faz sentido entrar, desde que ele tenha um horizonte longo o suficiente para poder esperar pela maturação do investimento. Recomendamos também cautela na escolha de quais ações comprar pois, após essa alta inicial, já não é mais qualquer ação que representa uma boa oportunidade.

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