A briga da Oxford com os chineses

Os chineses despertam sentimentos incompatíveis nos donos da WEG. Na fábrica de motores, são grandes aliados - tanto que há cinco meses, a companhia adquiriu duas empresas no país e planeja investimentos de US$ 135 milhões na região. Na fábrica de porcelanas Oxford, eles são inimigos declarados.

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2014 | 02h03

Nos últimos dez anos, as fabricantes de louças foram fortemente prejudicadas pela avalanche de produtos chineses, a preços baixíssimos, que desembarcaram no País - o que obrigou a Oxford a se concentrar no mercado doméstico e reduzir drasticamente as exportações.

Há dois anos, a empresa entrou com um pedido de investigação de dumping no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e em janeiro conseguiu uma decisão a seu favor.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aplicou uma medida de antidumping, com validade de cinco anos, à importação de artigos de louça de mesa produzidos na China. As alíquotas variam de US$ 1,84 a US$ 5,14 por quilo do produto.

A resolução também exige que as empresas chinesas parem de exportar ao Brasil itens com preços inferiores a US$ 3,20 por quilo do produto.

A medida fez com que o presidente da Oxford, Irineu Weihermann, se arriscasse a fazer projeções mais otimistas para este ano, quando espera atingir um faturamento de R$ 200 milhões.

"Isso nos anima muito porque, 70% das louças vendidas no País vem de fora e, desse total, 90% vem da China", diz Weihermann. "É uma concorrência desleal, porque o produto chinês chega aqui três vezes mais barato." Para ocupar o espaço da louça que vem da China, a Oxford aposta na marca Biona, que já existe no mercado e é voltada para as classes C e D. 

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