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Fábio Gallo
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A briga entre o touro e o urso

Entrar no mercado de capitais nesse momento dá ao mesmo tempo frio na barriga e é tentador

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2020 | 15h00

Pelo segundo mês consecutivo a inflação medida pelo IPCA foi negativa. A inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 1,8%, sendo que o Boletim Focus traz a previsão do IPCA para 2020 em 1,53%, mas há previsões apontando que a nossa inflação poderá chegar em torno de 0,6% no ano. Isso nos leva à discussão sobre a taxa básica de juros. A questão que surge é sobre o comportamento do Copom e o quão fundo ele poderá ir nos cortes. 

Na reunião de maio foi anunciado novo corte em junho, condicional ao cenário fiscal e conjuntura econômica, e que esse ajuste não seria maior do que o realizado. Recentes declarações mostram que os membros do Copom ainda não têm um consenso sobre essa política. Hoje a taxa Selic está em 3% e, com a deflação dos últimos meses, o mercado já crê os cortes de juros devem prosseguir e levar a taxa básica a 2,25% ao ano. Porém, ações devem ser tomadas na direção de estimular a economia e o corte pode ser mais drástico ainda. 

Toda essa discussão traz questionamentos para o investidor. A taxa de juros pode ficar em patamar tão baixo que teremos de avaliar não somente quais ativos específicos serão mantidos, mas também como reequilibrar as classes de ativos da carteira e se devemos investir além das nossas fronteiras. Na tentativa de sair da roda de hamster, o investidor terá de aceitar mais risco.  Mesmo verificando que a poupança tem aumentado, o volume líquido em ativos de baixo risco, como poupança e títulos do Tesouro, tem subido. Em algum momento, investidores vão começar a considerar ativos de mais risco. Entrar no mercado de capitais nesse momento dá ao mesmo tempo frio na barriga e é tentador, pois algumas empresas aparentam estar subavaliadas. 

O Ibovespa, depois de cair 45% entre o inicio do ano e 23 de março, chegou a subir 55%. Ainda não recuperou as perdas anteriores, mas começou a dar sinais de que pode voltar aos 100 mil pontos. No mercado internacional não foi muito diferente. O S&P 500 teve queda de 34% ante o pico de março, mas neste mês chegou a voltar à marca do fim de 2019. Algumas ações no mercado americano chegaram a subir mais de 70% somente em junho. Empresas de biotecnologia, farmacêuticas e de tecnologia têm trazido ganhos mesmo em período tão conturbado.

Empresas conhecidas como Tesla, Amazon e Ford tem apresentado boa performance.

Alternativamente devemos observar o mercado de crédito privado para oportunidades. Investir em mercados externos reduz o risco sistêmico – e isso deve ser incentivo para investidores olharem para outros mercados. O fato é que a briga entre o “bull” (touro) e o “bear” (urso) irá continuar e deveremos ter muitas emoções antes de chegarmos a águas mais calmas.

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