André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

A cada dois dias, uma morte e dez feridos

A Belém-Brasília converteu-se em uma verdadeira linha de produção de desastres

André Borges, enviado especial a Uruaçu (GO) e Gurupi (TO), O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2017 | 16h45

Longe do dia em que será transformada em uma rodovia mais segura, a Belém-Brasília converteu-se em uma verdadeira linha de produção de desastres. O Estado fez um levantamento dos acidentes ocorridos ao longo da estrada nos últimos três anos, no trecho entre os Estados de Goiás e Tocantins. Os dados foram compilados a partir de informações registradas pela Polícia Rodoviária Federal. O resultado é trágico.

Em 2014, ano em que a estrada foi concedida, 211 pessoas morreram e outras 2.446 ficaram feridas em acidentes na BR-153, entre Goiás e Tocantins. Em 2015, foram registradas mais 170 vítimas fatais e 2.066 feridos no mesmo trajeto. No ano passado, 184 mortos e 1.923 feridos. Em média, a cada dois dias uma pessoa morre e dez ficam feridas em acidentes que se espalham pela estrada.

“É uma situação alarmante e que tende a piorar. O adiamento dessas obras só vai fazer com que essas ocorrências aumentem. Já perdemos até nossa prefeita nessa estrada”, diz Genésio Antônio Theodoro, vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uruaçu (Aciau). Em outubro de 2011, Marisa dos Santos Araújo, ex-prefeita do município goiano por dois mandatos, entre 2001 e 2008, morreu em um acidente grave na BR-153, quando se aproximava da cidade.

Caminhoneiros que cruzam diariamente a estrada afirmam que os acidentes são diários. Livaldo Garcia, 42 anos, que há mais de dez anos passa pelo asfalto precário da rodovia, em viagens de 3 mil quilômetros, entre Parauapebas (PA) e Curitiba (PR), afirma que, se pudesse, seguiria por outro caminho.  “Isso aqui está abandonado. Essa estrada é pesada, mal projetada, sem sinalização noturna. É um lugar é cruel. Já vi todo tipo de acidente por aqui”, diz.

Há duas semanas, as estatísticas sangrentas contabilizadas pela BR-153 passaram a incluir os nomes da família Neves. Lélia Neves viajava pela estrada com a irmã Ivanilda Neves e a sobrinha Karine Neves. Era sábado. Elas seguiam até uma fazenda, com destino a Barrolândia (TO). Quando passavam pela região de Gurupi, chegaram a gravar um vídeo com o celular, o momento descontraído em que ouviam música no carro, sorriam e cantavam. O vídeo foi publicado nas redes sociais. Minutos depois, o carro se chocou de frente com uma carreta. Nenhuma delas resistiu. 

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