A captação de recursos tornou-se mais difícil

Tomadores brasileiros adiam a busca de recursos ou interrompem operações de colocação de papéis no exterior e no mercado local. Em alguns casos, é porque o mercado está fechado ou pouco propício à captação, como ocorreu no da Votorantim Cimentos, que pretendia abrir o capital e obter até R$ 10 bilhões com novos acionistas e com a empresa de participações do BNDES, a BNDESPar, que suspendeu uma emissão de debêntures de R$ 2,5 bilhões. É, evidentemente, uma situação conjuntural, mas reveladora do grau de incertezas do mercado global e do seu impacto sobre o Brasil.

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h12

Emissões de debêntures, ações e letras financeiras em andamento, em montantes somados da ordem de R$ 7,55 bilhões, são reavaliadas, segundo o jornal Valor. Entre os tomadores, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Anbima, estão empresas de porte como Raízen, Oi, Comgás, JSL, Azul, CPFL Renováveis e MPX, além dos bancos Daycoval e Banrisul. Poucos lançamentos continuam firmes.

Algumas operações semelhantes foram, de fato, concluídas, nos últimos dias, como as da CPFL Energia e da Rodovias do Tietê, que colocaram, respectivamente, debêntures no montante de R$ 1,29 bilhão e de R$ 1,065 bilhão, além do Banco Volkswagen, que vendeu R$ 500 milhões em letras financeiras.

Em todos os casos, trata-se da tomada de recursos de médio ou longo prazos. Nesses casos, a dificuldade de acesso ao mercado de capitais significa, em geral, atrasos em projetos de investimento.

Os mercados ainda não processaram a perspectiva de mudança na política monetária conduzida pelo banco central norte-americano (Fed), que será mais parcimonioso. Efeitos imediatos, como a valorização do dólar, já se fazem sentir, em especial, nos países emergentes, que já não dispõem de investidores ávidos por novas emissões.

Incertezas significam, normalmente, custos mais altos para os tomadores, como já começa a ocorrer, e redução de prazos das novas captações. A elevação do juro básico, no Brasil, é um fator a mais nas decisões dos aplicadores.

Até a globalização dos mercados é, neste momento, um fator negativo para o País: as emissões são subscritas tanto por investidores locais como globais. Cada qual acompanha de perto o que fazem os demais.

O mercado local não pode suprir tudo o que faltar fora. A escassez de recursos será um fator a mais para adiar uma retomada sustentável.

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