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A China promete mudança

Como tanta coisa na China, as declarações oficiais ou as não declarações apenas eventualmente guardam proporção ao que de fato acontece, antes ou depois.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2013 | 02h10

Na semana passada, o plenário do Partido Comunista Chinês realizou quatro dias de reunião com seus principais líderes com o objetivo de criar uma agenda nova de longo prazo para acelerar o desenvolvimento do país. Em princípio, o encontro deverá ter dado ao presidente Xi Jinping poderes para colocar em marcha grandes reformas e dar maior importância às razões de mercado nas decisões sobre política econômica.

O comunicado final foi pouco esclarecedor sobre o que está sendo pretendido e o que poderá de fato ser levado adiante. Em todo o caso, quem conhece melhor como as coisas funcionam na China sugere que é preciso esperar. É a prática, bem mais do que discursos e notas oficiais, que vai mostrar a natureza e a profundidade das reformas pretendidas.

Não faltaram proclamações contra o excesso de burocracia, mas, paradoxalmente, a decisão destinada a agilizar o processo de decisão e de racionalizar as providências de política econômica foi a criação de mais duas instituições burocráticas: o Comitê de Segurança Nacional e o Pequeno Comitê de Coordenação das Reformas. As primeiras reações na China e no restante do mundo foram de reserva e de alguma decepção com essa falta de substância.

Nos seus pronunciamentos, o presidente Xi prometeu "explorar novos caminhos e gerar novas ideias". Avisou também que reduzirá as restrições às propriedades rurais e deixará os bancos mais livres para cobrar juros no crédito.

Aparentemente, as pressões maiores provêm do campo. Mais de 400 milhões de chineses não têm acesso aos benefícios das populações urbanas porque não podem deixar os locais onde nasceram. Esta foi uma decisão tomada ainda nos tempos do presidente Mao para reduzir as migrações internas em direção às cidades. Continua rigidamente observada. A resolução tomada agora pretende uma abertura ordenada dessas restrições. Isso exige esforço enorme em investimentos, em infraestrutura e em serviços públicos, especialmente educação, saúde e transportes, num cenário em que as condições do meio ambiente estão seriamente deterioradas.

Uma das maiores vantagens da China moderna é também uma de suas maiores limitações. A poupança nacional corresponde a alguma coisa em torno de 50% do PIB. Ou seja, o chinês não gasta metade de sua renda, incluídos aí os resultados das empresas estatais. A inclusão de mais gente ao mercado de trabalho e de consumo deverá reduzir o ímpeto exportador, porque parte do dinamismo mercantil terá de ser redirecionado para o mercado interno.

Ainda que falte entender melhor o que essas mudanças significam, parece inevitável que a China será obrigada a aumentar suas linhas de abastecimento de matérias-primas, petróleo e alimentos. Ou seja, a guinada que se inicia por lá pode ser benéfica aos interesses da economia do Brasil que é grande exportador de commodities.

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