A classe média na mira da Vinci Partners

Gestora de recursos formada por ex-sócios do Pactual lança a Apogeo Investimentos, voltada para o varejo de alta renda

CÁTIA LUZ, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h05

Frases como "invista nos seus sonhos", "conquiste sua liberdade financeira" aliadas a fotos de um noivo e uma noiva durante o casamento ou de um casal de velhinhos aproveitando a vida em uma moto. É com essa abordagem simples e direta que o cliente da Apogeo Investimentos - consultoria de investimentos e educação financeira - é recebido no site da empresa, que faz parte do grupo Vinci Partners, comandado pelo banqueiro carioca Gilberto Sayão.

O foco de atuação da nova companhia, que começou a operar no mês passado, é orientação financeira e gestão de recursos voltadas para um investidor que tenha R$ 25 mil ou mais aplicar. Um modelo bem diferente do da empresa-mãe, uma gestora fundada por ex-sócios do Pactual, que tem investidores milionários como clientes e conta com mais de R$ 10 bilhões de ativos sob gestão.

"Nossa intenção com a Apogeo é atender a uma classe média crescente que, muito em função do histórico inflacionário brasileiro, não desenvolveu a cultura de planejamento e de disciplina financeira", afirma Ronaldo Boruchovitch, sócio da Vinci que está à frente do negócio.

O objetivo é organizar os investimentos de acordo com as metas e o perfil de risco do cliente, tendo o coaching financeiro como a grande aposta. "Não estamos direcionados a produtos. Nosso trabalho é fazer o cliente se perguntar quem é, o que quer e, a partir daí, ajudá-lo a montar uma carteira com horizonte de longo prazo", afirma Paulo Bittencourt, diretor da empresa.

A Apogeo oferece cursos online com os primeiros passos das finanças pessoais e cursos pagos presenciais, que custam cerca de R$ 300 e têm duração de oito horas. Para o professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas Luís Carlos Ewald, a lógica de se usar a educação como porta de entrada para as aplicações financeiras, mesmo para os investidores de classe média, faz sentido. "Com a queda da taxa de juros brasileira nos últimos anos, esse investidor, que sempre esteve habituado a ganhar com ela, está meio perdido, porque precisa diversificar as aplicações e não sabe como fazer isso", diz Ewald.

A Apogeo começa oferecendo apenas fundos - entre eles, de ações, DI e multimercados. O cliente paga pelo serviço da empresa via taxa de administração do fundo, que varia de 0,5% a 3%. Inspirada nas americanas Fidelity e Charles Schwab, a empresa espera atingir 15 mil clientes e R$ 1,5 bilhão de ativos sob gestão em cinco anos. Segundo Bittencourt, os agentes autônomos terão um papel de destaque no processo. "Nossa força de captação será o braço humano. Trabalhamos com quatro agentes autônomos e a meta é chegar a 20 nos próximos 12 meses", afirma.

Conflito de interesse. Nesse ponto, concorrentes apontam para o perigo do conflito de interesse. "Por lei, o agente autônomo não pode prestar consultoria financeira, mas não é fácil controlar isso", diz um executivo de outra gestora. "Como é remunerado por comissão, ele tenderia a recomendar produtos que pudessem dar a ele um retorno maior", afirma. Bittencourt rebate a crítica, explicando que, para mitigar esse problema, a Apogeo é formada por duas empresas: uma de consultoria, que produz conteúdo e dá recomendações de classes de ativos de acordo com o perfil de clientes; e uma empresa formada pelos agentes autônomos, que vende os produtos. "Segregamos as funções, deixando claro para a Comissão de Valores Mobiliários quem é quem", reforça Bittencourt.

"Nossa intenção é

atender à classe média crescente que não

desenvolveu a cultura de planejamento financeiro"

RONALDO BORUCHOVITCH

sócio da Vinci Partners

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