A CNI mostra o desânimo da indústria

A produção industrial deverá cair 0,5% neste ano, projeta a Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Informe Conjuntural, distribuído ontem. Pior é que não se trata de queda isolada, pois os demais setores econômicos também perderam força.

O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2014 | 02h04

A crise da indústria decorre "mais do ambiente doméstico que da economia mundial". Há um problema estrutural - a falta de competitividade das empresas brasileiras. E problemas conjunturais - "o enfraquecimento da demanda interna, a retração das exportações para a Argentina, o encarecimento do capital de giro, o crescimento do custo da energia elétrica (provocado, principalmente, pelo déficit hídrico) e a falta de confiança do empresário". O governo usou o arsenal disponível, mas "as expectativas dos empresários industriais seguem negativas".

Entre janeiro e maio, só a produção da indústria extrativa cresceu (4,7%), mas o PIB da indústria de transformação diminuiu 2,4%. A queda foi liderada pelos bens duráveis (-3,2%) e pelos bens de capital (-5,8%). Esse é o nó. Sem investimento, uma retomada não é sustentável. E o investimento total do País, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), também está em desaceleração. A FBCF caiu 2,1% entre o último trimestre de 2013 e o primeiro de 2014 - terceira queda nesse tipo de comparação. A CNI calcula que a FBCF caia 2% neste ano, chegando a 17,6% do PIB, ou 0,6 ponto porcentual abaixo da taxa do ano passado.

Tal conjunto de dados e previsões bastaria para mostrar que a política econômica perde, crescentemente, a batalha das expectativas. Mas há outros a acrescentar: o consumo das famílias caiu no primeiro trimestre e este deverá ser o quarto ano consecutivo de desaceleração; o consumo do governo deverá ceder de 2% do PIB para 1,9%, entre 2013 e 2014; as importações crescerão apenas 1,2% neste ano, ante 8,3% em 2013; e o crescimento do PIB estimado em 1% será sustentado pelo setor agropecuário e pelos serviços (que, por sua vez, dependem da economia real, da indústria e do comércio).

Mais cedo ou mais tarde, as dificuldades chegarão aos índices de emprego. Se isso não ocorreu até agora, é porque menos pessoas procuram o mercado de trabalho - isso ocorre, em especial, com quem tem 18 a 24 anos.

Independentemente do ano eleitoral, a piora generalizada das condições econômicas teria de ser reconhecida pelo governo. O segundo passo será discutir os melhores caminhos para enfrentar as dificuldades.

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