A colocação de papéis brasileiros é mais difícil

O mercado internacional de bônus está, temporariamente, fechado para emissões brasileiras. Nos últimos dias, grandes companhias locais (Banco do Brasil, Odebrecht e Minerva) adiaram colocações - só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fez apresentações (roadshows) na semana passada, com vistas ao lançamento de papéis. Em fins de maio, o presidente do banco, Luciano Coutinho, disse que está nos planos vender US$ 2 bilhões em bônus, para financiar projetos de óleo e gás.

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h06

O aperto no mercado permite entender por que o governo brasileiro eliminou, terça-feira passada, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% que incidia sobre as aplicações de estrangeiros em renda fixa. Mas o efeito da vantagem tributária não foi imediato. Na quarta-feira, o Banco Central vendeu US$ 1,35 bilhão em swaps cambiais (trocas de moeda), buscando evitar uma alta expressiva nas cotações do dólar, repetindo a operação ontem.

O Ministério da Fazenda demorou a reagir aos indícios de melhora da economia norte-americana. Em parte, pode ter sido induzido pelo fluxo cambial favorável de maio.

Nas duas últimas semanas, os juros dos títulos públicos norte-americanos começaram a subir (nos papéis de 10 anos, passaram de 1,7% ao ano para 2,06% ao ano, segundo o jornal Valor). O efeito sobre emissões brasileiras antigas foi imediato, com prejuízo para os investidores. O ônus é maior para os detentores de bônus de longo prazo.

O encolhimento do mercado global tem várias facetas. O custo será maior para as empresas que mais precisarem de recursos de longo prazo para investir ou financiar operações. As empresas brasileiras não são a causa do problema. Tampouco o fechamento do mercado ao País se deve só à mudança, para melhor, da situação norte-americana, ajudando o dólar.

Deve-se, em especial, à deterioração da política econômica brasileira nos planos monetário, fiscal e cambial. A balança comercial terá déficit no semestre e as projeções do último boletim Focus apontam para um superávit de apenas US$ 7,3 bilhões, neste ano, contra US$ 9 bilhões, quatro semanas atrás. É provável que o saldo seja ainda menor.

A administração da política econômica terá de ser muito mais competente, nas próximas semanas, na tentativa de restabelecer a confiança no País e permitir que as companhias locais possam voltar a tomar recursos no mercado internacional.

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