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'A competição em automóveis no Brasil ainda é muito limitada'

À frente da Volkswagen do Brasil por cinco anos, Herbert Demel, 58 anos, foi responsável pela reestruturação da fábrica do ABC paulista, a mais antiga do grupo. O processo reduziu em um terço o tamanho da unidade, cortou 7 mil empregos e colocou a fábrica em condições de competir com outras mais novas. Antes de sua saída para assumir a Magna Steyer na Europa, enfrentou críticas por ter demitido 3 mil funcionários por carta, processo depois revertido em saídas voluntárias.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h04

Que mudanças o sr. vê no Brasil desde sua saída da VW?

1997 a 2002 foram anos difíceis, com a crise na Ásia, depois na Rússia. E todos os problemas que se seguiram infeccionaram o Brasil. Naquela época, uma gripe nos Estados Unidos ou na Europa virava infecção pulmonar no Brasil. Hoje, tornou-se um país estável, importante, saudável. Se há dez anos o Brasil oferecesse apoio financeiro à Europa, diríamos que estava completamente louco.

Como vê a chegada de montadoras chinesas e coreanas?

Com a previsão de crescimento das vendas de carros, que deve continuar, ainda que em ritmo menor, todo mundo quer vir para cá. É muito mais fácil, inclusive, formar equipes de executivos para tocar as operações locais. A maioria prefere vir para o Brasil do que para a China e a Índia.

Quando comandou a Volkswagen, o sr. costumava apresentar gráficos com barquinhos, simbolizando as montadoras, alguns deles afundando. De fato, algumas empresas fecharam as portas. No novo cenário, o senhor vê outros barcos afundando?

Pode ser que algum afunde, mas isso só deve ocorrer se o Brasil enfrentar nova crise. Hoje o mercado interno é muito forte e há espaço para várias fabricantes. Apesar disso, a competição ainda é limitada. As quatro maiores fabricantes (Fiat, VW, GM e Ford) concentram 70% das vendas. Essa participação deve diminuir, mas ainda assim o mercado continuará concentrado. Em nenhum outro lugar no mundo há um quadro como este.

O Brasil está em condições de competir internacionalmente?

A competitividade industrial ainda não é muito boa. Basta ver o fluxo entre exportações e importações. Há uma questão de custos e infraestrutura que precisa ser trabalhada. Além disso, há um protecionismo local, como a elevada taxa de importação para carros (35%) e a recente medida de alta de 30 pontos porcentuais do IPI para os carros não fabricados localmente. O protecionismo só é adotado quando há um defeito, e se há um defeito, ele precisa ser reparado.

Por que, então, o País continua atraindo investimentos?

Todos vêm para cá atraídos pelo mercado interno, sem planos de exportação. No longo prazo, isso não é bom. / C.S.

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