A concentração no varejo avança

A movimentação no varejo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos tem sido grande nos últimos dois anos. A concentração também. Concentração essa que já se delineava desde a metade dos anos 90, quando mais de 180 empresas deixaram o setor pelos mais variados motivos.

Nelson Barrizzelli, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

Mas os movimentos atuais são maiúsculos. O setor é liderado pela Globex, empresa do Grupo Pão de Açúcar, atuando com as bandeiras Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro. Esse conglomerado conta hoje com cerca de 1.000 lojas em todo o País. Em segundo lugar vem a Máquinas de Vendas, com mais de 900 lojas. Em terceiro avança rapidamente o Magazine Luiza, com 725 lojas.

Se a vida dos fornecedores já estava difícil, com as aquisições recentes feitas pela Máquina de Vendas e por Magazine Luiza, as negociações devem se tornar mais agressivas. Mas, por terem equipes altamente profissionalizadas, tanto compradores quanto vendedores sabem que o limite desse processo é a garantia de algum lucro para os dois lados. Com prejuízo não tem negócio, mesmo que isso signifique ficar fora de algum gigante do varejo. E, no final, todos acabam se entendendo. Negociar muito faz parte do jogo.

Perdem com isso as cadeias de lojas pequenas e médias. A pressão exercida pelos grandes concorrentes pode até eliminá-las. Como a concorrência no varejo se dá entre lojas, e não entre organizações, os pequenos e médios sofrerão mais onde a concentração é maior. Isto está ocorrendo com maior intensidade em algumas cidades da região Nordeste, no Rio de Janeiro e na Grande São Paulo. Problema para ser atentamente seguido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), de forma pontual, a fim de garantir a concorrência, como é seu papel.

O consumidor tem menos com o que se preocupar. A guerra de preços entre os gigantes costuma ser também gigantesca. A menos que uma organização domine completamente uma região geográfica, não há acordos possíveis nos mercados de varejo. O que predominam são as ofertas até o limite da garantia do lucro.

Portanto, é possível que os consumidores saiam ganhando com esses movimentos. A prova está na concentração existente na região da Grande São Paulo. Ninguém deixou de comprar o seu eletrodoméstico porque os preços subiram. Ao contrário. Com o tempo, eles vêm caindo, e os produtos se tornando mais acessíveis.

De resto não há muito que fazer. As concentrações são um fenômeno mundial, continuarão ocorrendo e cabe aos órgãos de defesa da concorrência e dos consumidores atuarem para que as proteções sejam positivamente acionadas, quando necessárias.

ECONOMISTA E PROFESSOR DA FEA-USP

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