A concentração varejista favorece os consumidores

As recentes operações de concentração no comércio de varejo começam a preocupar o governo, que se mostrava alheio a esse processo. Trata-se de um processo com diversas consequências que podem favorecer tanto as famílias quanto alguns produtores industriais.

, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

O objetivo de ter supermercados ou grandes lojas distribuídas em todo o território é oferecer preços mais baixos e maior variedade de produtos. Essa concentração dificulta a vida do pequeno comércio, que não pode oferecer tais vantagens e que somente por meio de uma especialização muito fina ou da oferta de uma qualidade excepcional dos seus produtos consegue enfrentar os novos gigantes do varejo.

Os pequenos comerciantes procuram implantar suas lojas em shoppings onde podem oferecer aos compradores não preços baixos, mas a comodidade da concentração de lojas num único espaço, com diversidade de produtos.

Já o grande comércio concentrado pode oferecer preços melhores pelo fato de que realiza grandes encomendas à indústria, planejadas com antecedência, e mantém um estoque reduzido ao mínimo, administrado por meios eletrônicos. Em razão disso, também negocia preços especiais com os seus fornecedores.

Não há dúvida de que os preços que consegue da indústria são melhores do que os dos pequenos comerciantes. Porém, com a existência de diversos grupos varejistas de grande porte, a indústria tem um limite para oferecer descontos, e mais ainda quando exerce um monopólio ou oligopólio de algum produto cuja demanda é grande. Neste caso, pode acontecer de apenas um grupo varejista de porte poder oferecer o produto, e assim praticar um preço bastante elevado para os seus consumidores.

Quando se trata de produtos alimentícios perecíveis, fornecidos por pequenos produtores, como verduras ou frutos, o comércio concentrado encontra-se numa posição dominante diante de um número grande de fornecedores que não têm capacidade de resistência e são obrigados a aceitar preços extremamente baixos impostos pelo grupo concentrado. Neste caso, os produtos oferecidos às famílias têm um preço baixo e muito lucrativo para o comércio concentrado. A única defesa dos fornecedores será, então, a oferta de produtos que nem sempre serão de primeira qualidade.

Essas considerações mostram as dificuldades das autoridades, se quiserem de fato regular a concentração do comércio varejista, que oferece grandes vantagens a seus clientes.

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