A conexão que vem do espaço

O número de pessoas com acesso à internet não para de aumentar, e de maneira impressionante, como nos informa de tempos em tempos uma nova contagem. No dia a dia, basta andar até a esquina para ficar com a impressão de que está todo mundo conectado.

Camilo Rocha, O Estado de S. Paulo

18 Maio 2015 | 03h00

Mas é só uma impressão. No Brasil, só metade da população acessa a internet com frequência. Na cidade de São Paulo, 11% nunca sequer entraram na rede. No mundo, são 4,3 bilhões sem acesso, ou seja, a maioria dos habitantes da Terra.

O desafio de levar a internet aos sem-conexão faz parte dos discursos das maiores empresas de tecnologia do mundo. Na Mobile World Congress de 2012 o presidente do Google Larry Page falou em responsabilidade moral das empresas de tecnologia em conectar “os próximos 5 bilhões”. Seu Project Loon, onde gigantescos balões conectarão áreas desassistidas, deve ir além da fase experimental este ano e ser lançado de forma ampla.

No ano passado, estreou o Internet.org, projeto encabeçado pelo Facebook que pretende trazer internet gratuita a comunidades pobres de diversos países através do celular. No Brasil, a empreitada começará pela favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo.

Por mais louváveis e importantes que sejam, é difícil dissociar esses projetos dos interesses comerciais dessas empresas. Quando se fala em “conectar o próximo bilhão” leia-se “trazer o próximo bilhão de usuários para a minha plataforma”. O projeto do Facebook é criticado já no nome, que induz à confusão de que Facebook e internet são a mesma coisa (novos usuários entrevistados na Índia e Indonésia repetidamente disseram nunca ter usado a internet, apenas o Facebook). Depois de ver criticado na Índia o modelo do projeto, que garante acesso gratuito à rede social e a alguns aplicativos selecionados como Google Search e Wikipedia, Mark Zuckerberg anunciou que a plataforma seria aberta a aplicativos de outros desenvolvedores.

Correndo por fora está o Outernet, projeto lançado em fevereiro do ano passado e que é custeado por doações no site Indiegogo, além de um investimento inicial da Digital News Ventures, fundo dedicado a startups de notícias em países emergentes.

Informação é um conceito chave no Outernet. Sua missão é possibilitar o acesso à cultura, notícias, dados sobre saúde, clima e pesquisas. “Imagine se toda casa tivesse uma biblioteca”, diz o site do projeto.

Funciona assim: a empresa aluga espaço em satélites de comunicações, que transmitem os dados para receptores no solo (movidas a energia solar) que funcionam simultaneamente como antenas parabólicas e distribuidores de sinal Wi-Fi para aparelhos nas proximidades, que podem acessar o conteúdo recebido do satélite.

Descrito pelo fundador Syed Karim como cruzamento entre rádio de ondas curtas e baixador de arquivo torrent (protocolo que facilita download de de dados), o Outernet já transmite para Europa, América do Norte, Oriente Médio, Ásia Central e maior parte da África.

A iniciativa se vê também como ferramenta de auxílio a áreas onde liberdade de expressão e informação são restritas. “Imagine se a censura não existisse” é outro dos slogans do projeto. O Outernet espera levantar US$ 1 milhão para conseguir transmitir 200 megabytes de dados por dia para todo o planeta.

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