A confiança do consumidor cresce, mas o ritmo é lento

É essencial que isso ocorra, pois, em última análise, é do consumidor final que depende a reação da economia

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 03h00

A recuperação da confiança das empresas é mais rápida do que a dos consumidores, mas os indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Boa Vista SCPC dão indícios de que, aos poucos, as expectativas favoráveis alcançam também as famílias. É essencial que isso ocorra, pois, em última análise, é do consumidor final que depende a reação da economia.

A Sondagem de Expectativas do Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) mostrou que entre fevereiro e março aumentou a crença na recuperação da confiança, embora o nível de 85,3 pontos registrado no mês passado seja inferior à marca de 100 pontos, que separa os campos positivo e negativo e indica que o patamar de confiança ainda é inferior ao de dezembro de 2014, quando o País já entrava na maior recessão da história.

A sondagem do Ibre separa o Índice de Expectativas (IE) do Índice da Situação Atual (ISA), mostrando que este apresenta resultados piores. O ISA está em 71,5 pontos e a percepção das famílias com a situação financeira presente é insatisfatória, nos 65,9 pontos. Serão necessárias uma recuperação mais forte dos salários e a volta das contratações de mão de obra para que as famílias constatem uma melhora da sua condição financeira. Mas é exatamente o que os entrevistados esperam, como se vê no IE.

Os indicadores das perspectivas futuras são bem mais positivos, com avanço do grau de otimismo tanto em relação à situação econômica em geral como no tocante à melhora da condição financeira das famílias. O avanço ocorreu em todas as faixas de renda mensal, destacando-se as famílias com rendimentos entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, seguindo-se aquelas com mais de R$ 9,6 mil de ingressos mensais.

Levantamento da Boa Vista SCPC com 1.169 pessoas confirma, indiretamente, os resultados da sondagem da FGV, mostrando que 61% dos entrevistados se declaram mais conservadores na hora de comprar e 39% são mais cuidadosos no uso do dinheiro.

A combinação das pesquisas mostra que o consumidor está bem mais consciente, pois sabe o custo de compras por impulso estimuladas na era Lula.

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