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A confiança dos industriais cai ainda mais

Em julho, chegou ao nível mais baixo em 15 anos - 46,4 pontos - o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Houve queda de 1,1 ponto porcentual em relação a junho e de 3,5 pontos em relação a julho de 2013, quando o indicador marcava 49,9 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo.

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2014 | 02h03

Não se trata, a rigor, de um quadro imprevisível, pois os demais indicadores da indústria, provenientes em especial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já registravam a tendência crescente de queda. O que muda são a velocidade do declínio e o fato de que a situação piorou nos segmentos que melhor sustentavam o ritmo de atividade.

O Icei é um índice mensal abrangente. Foram ouvidas 2.649 empresas, das quais 1.016 de porte pequeno, 1.009 de porte médio e 624 de grande porte. A confiança caiu, qualquer que seja o porte da empresa, mas a faixa mais atingida foi a das companhias de porte médio, com 50 a 249 empregados. Nestas a queda foi de 1,6 ponto no mês e de 3,9 pontos porcentuais em 12 meses.

Como também houve queda mensal do Icei (de 0,4 ponto) que mede a confiança da pequena empresa, foram atingidos os segmentos que mais empregam pessoal. O quadro de corte de vagas constatado pela indústria paulista e pelo Ministério do Trabalho reforça a percepção de que a indústria está perto da recessão, sem que haja mecanismos disponíveis para uma reativação, no curto ou no médio prazos.

Em contraste com as afirmações da presidente Dilma Rousseff de que nunca se investiu tanto em infraestrutura, o item Obras de Infraestrutura recuou 3,7 pontos porcentuais entre junho e julho. Foi o que empurrou para baixo a indústria da construção, pois o segmento de edifícios mostrou alta leve em julho (+0,8 ponto), embora tenha caído 2,7 pontos, na comparação com julho de 2013.

O nível de confiança nas condições atuais é muito ruim (37,8 pontos). Apenas 3, entre os 28 segmentos analisados, registraram pontuação superior a 50, ou seja, mostraram otimismo. O pessimismo chegou até a produtores de itens de consumo de massa - alimentos, têxteis, vestuário, calçados e produtos farmacêuticos. É possível que os consumidores estejam controlando com rigor até as despesas com medicamentos, o que significa um risco para a saúde da população.

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