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A confiança e seus limites

A confirmação desses indícios de volta da confiança depende de fortes condicionantes que, se forem frustrados, não garantem nada

Celso Ming, O Estado S.Paulo

11 Julho 2016 | 21h00

Há uma razoável recuperação da confiança, um sinal e, ao mesmo tempo, pré-requisito da retomada do crescimento da produção, da renda e do emprego. Mas a confirmação desses indícios depende de fortes condicionantes que, se forem frustrados, não garantem nada.

A Pesquisa Focus é um dos mais sólidos indicadores das expectativas dos agentes da economia. Baseia-se em levantamento semanal do Banco Central em cerca de cem instituições financeiras, consultorias e empresas relevantes. Seu objetivo é rastrear corações e mentes dos formadores de preços para auferir até que ponto vêm seguindo as projeções e coordenadas sugeridas pela autoridade monetária. Quanto maior a afinação entre o que pensa o Banco Central e o mercado, mais eficaz tende a ser a política monetária (política de juros) e, portanto, o controle da inflação.

Há algumas semanas, a Pesquisa Focus vem mostrando melhora consistente das expectativas a respeito do comportamento de algumas variáveis importantes da economia, como inflação, câmbio, desempenho do PIB, balanço de pagamentos e entrada de investimentos estrangeiros diretos. (O gráfico aponta a evolução de duas dessas variáveis.)

Esses indicadores estão dizendo que os principais agentes econômicos passaram a trabalhar com a expectativa de melhora do desempenho da economia. É uma percepção que está sendo passada pelas escolhas feitas e pela maneira como vem se conduzindo a equipe econômica deste governo interino, em direção a maior solidez dos fundamentos da economia.

No entanto, essa postura do mercado não deve ser confundida nem com adesão nem com aposta firme nos resultados.

Enormes incertezas continuam aí. A mais importante delas é a que cerca o desfecho do processo de impeachment. Se a decisão for pela continuação do mandato da presidente hoje afastada, enorme leque de incertezas se abrirá imediatamente, porque não se saberia qual seria a política econômica a ser adotada. A que subsistiu tanto no primeiro como na parcela do seu segundo mandato foi um experimento voluntarista que produziu uma cascata de distorções e desastres: atirou a economia na recessão, puxou pela inflação, produziu desemprego, quase quebrou a Petrobrás, desarticulou o setor elétrico e afundou a indústria.

Mesmo que a presidente Dilma se declare convertida aos preceitos que estão nos manuais de Economia Política, é preciso ainda saber se, depois de tudo o que aconteceu, contaria com apoio suficiente para conduzir a política econômica.

A outra incerteza envolve a administração Temer. É preciso saber se o governo terá condições políticas para aprovar o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe o aumento das despesas públicas acima da inflação do ano anterior. Esse é o dispositivo legal mais importante do atual programa de ajuste. Sem a sua aprovação todo o resto perde chão e a retomada da confiança que hoje se esboça também ficaria comprometida.

CONFIRA:

O gráfico mostra que a produção da Petrobrás começa a crescer. Em junho foi batido o recorde histórico. No momento, 43% do petróleo e do gás produzidos provêm do pré-sal.

Balança comercial

As duas primeiras semanas de julho só tiveram seis dias úteis, mas apresentaram um excelente desempenho do comércio exterior. O superávit foi de US$ 1,5 bilhão. A média diária das exportações cresceu 2,9% sobre igual período do ano anterior. Apesar da queda das cotações do dólar, que reduziram as receitas do exportador em reais, o resultado segue promissor.

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