A confiança vai gerar empregos

Apesar de inúmeras medidas voltadas para recuperar a confiança no governo – nomeação de técnicos competentes, aprovação de medidas importantes no Congresso Nacional, providências efetivas para ativar obras de infraestrutura e outras –, as primeiras pesquisas de opinião pública com a população indicaram uma avaliação negativa do trabalho do presidente Michel Temer.

José Pastore*, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 05h00

Os agentes econômicos continuam cautelosos. De um lado, aplaudem as medidas pró-mercado tomadas pelo governo. De outro, temem a eventual volta de Dilma Rousseff ao comando do País.

A incerteza sobre o impeachment deve durar dois ou três meses. Esse tempo, porém, será precioso para Michel Temer concluir as mudanças sobre regras mais confiáveis para a concessão de obras públicas e para os investimentos em geral. Também nesse período ele poderá finalizar as providências para assegurar o necessário reequilíbrio das finanças públicas, amadurecendo a discussão sobre as regras de aposentadoria e pensão, que podem ser aprovadas logo após as eleições municipais.

As mudanças a serem consolidadas nos próximos meses serão observadas com lupa pelos investidores, especialmente os estrangeiros que, pelo fato de terem juros negativos em seus países, estão ávidos para entrar em projetos lucrativos no Brasil, em especial no setor da infraestrutura, no qual é possível gerar empregos rapidamente e em grande quantidade. Em suma, a decisão de investir já foi tomada. Eles aguardam regras confiáveis.

Não tenho dúvida. Os próximos meses serão cruciais para a volta de investimentos pesados no campo da infraestrutura e isso pode dar certo. Nesse campo, as necessidades são imensas, os projetos estão prontos e o Brasil dispõe de uma boa capacidade instalada para construir ferrovias, metrôs, rodovias, portos, aeroportos, redes de esgoto, etc. É um tempo de ressurgimento das empreiteiras de médio porte, que poderão se encarregar da construção de pontes, edifícios, armazéns e silos para a agricultura e manutenção dos equipamentos existentes, em especial, de rodovias – todos gerando uma grande quantidade de empregos diretos e indiretos.

Se há necessidade, projetos e capacidade instalada, o que faltava eram os capitais, que certamente virão do apetite dos agentes econômicos nacionais e estrangeiros para investir no Brasil.

Penso que o presidente Temer já começou a construir. Ele está construindo confiança. Uma vez estabelecida, a confiança abrirá a cortina para a volta dos investimentos e dos empregos. Os empregos gerados por obras de infraestrutura estimularão a geração de postos de trabalho na indústria de transformação, no comércio e nos serviços.

Enfim, acho que a roda vai voltar a rodar. Confiança é essencial. Com confiança, os investidores entram em atividades que envolvem os riscos normais dos negócios, por acreditarem que as pessoas e o próprio governo se comportarão conforme as regras das leis e do bom senso. É a crença no respeito às regras básicas da economia de mercado, a começar pela garantia do direito de propriedade e do lucro legítimo. Kenneth Arrow, Nobel de Economia (1972), tratava a confiança como o principal lubrificante da economia.

É isso mesmo, a confiança é essencial para reduzir os custos de transação. É com base nela que os investimentos se realizam e os empregos são gerados.

É isso que antevejo para os próximos 12 ou 18 meses, se as medidas do governo atual continuarem na direção estabelecida. A ativação de obras de infraestrutura se somará ao sucesso da agricultura e à boa perspectiva de exportações, que já começam a despontar.

Concluo dizendo que o ano de 2017 poderá ser marcado por uma redução expressiva do sofrimento amargado pelos milhões de brasileiros que foram desempregados em 2015-16. Com a volta dos empregos e da renda, as famílias pagarão as dívidas e voltarão a consumir.

*É professor da Universidade de São Paulo, presidente do conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP e membro da Academia Paulista de Letras

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