A confiança do empresariado continua baixa

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de julho divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou recuperação em relação ao mês anterior, mas insuficiente para compensar perdas anteriores

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 04h00

A greve dos caminhoneiros está tendo um efeito prolongado sobre o ânimo do empresariado. Ouvidos há pouco por pesquisadores das entidades que os representam nacionalmente, empresários da indústria e do comércio deram indicações de que ainda não veem solução para problemas gerados pela paralisação dos transportes de cargas na segunda quinzena de maio e, por isso, estão pouco confiantes.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de julho divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou recuperação em relação ao mês anterior, mas insuficiente para compensar perdas anteriores. Em junho, o índice havia caído 5,9 pontos, pois muitas indústrias tiveram de interromper suas atividades por falta de componentes e insumos em razão da greve dos caminhoneiros.

O índice subiu 0,6 ponto em julho, mas ficou em 50,2 pontos, nível pouco superior à linha divisória (50) que divide a confiança da falta de confiança e quase 4 pontos abaixo da média histórica de 54,1 pontos. O Icei mais baixo de julho foi registrado na Região Sudeste, a mais industrializada do País e, por isso, a mais afetada pela greve.

Mesmo passado mais de um mês desde o fim da paralisação dos caminhoneiros, o empresário industrial continua inseguro. Consequências tardias da greve – especialmente o tabelamento do frete rodoviário, cujos efeitos sobre os custos de produção e sobre os índices de preços ainda são desconhecidos – geram incertezas no setor industrial.

Já a Pesquisa Nacional CNC, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 4,3% em julho, a maior redução desde agosto de 2015. O Icec ficou em 103,9 pontos, ainda no campo positivo, mas no menor nível desde agosto de 2017.

A decepção com as condições atuais da economia e o pessimismo quanto ao crescimento no futuro próximo foram determinantes para a perda de confiança. O componente do Icec que mede as expectativas dos empresários do comércio registrou em julho a primeira queda na comparação anual desde maio de 2016, no auge da crise política que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Para sete em cada dez empresários do comércio ouvidos na pesquisa, a economia piorou.

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