A construção civil em busca de um novo patamar

A atividade da construção civil ficou abaixo da média, em julho, mas em ligeira recuperação em relação a junho, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao mesmo tempo, o Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) reviu as projeções de crescimento deste ano, de 5% para 4%.

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h07

Os dados indicam que a recuperação, se vier a ocorrer neste semestre, tende a ficar aquém do esperado. Nada a estranhar, pois o ritmo da construção civil segue o do Produto Interno Bruto (PIB), cuja retomada, em junho, pelos dados do IBC-Br, do Banco Central, não está consolidada.

Os dados menos desanimadores dizem respeito ao emprego: em julho, segundo o Sinduscon, o saldo de contratações com carteira assinada foi de 28,1 mil trabalhadores. No período janeiro/julho, o emprego na construção cresceu 6,98% em relação ao mesmo período de 2011, correspondendo a 221,5 mil vagas - número expressivo, mas que em 2011 tinha sido ainda maior, com mais 228,2 mil postos. Nos últimos 12 meses foram abertas 204,4 mil vagas.

Em julho, segundo a Sondagem da Indústria da Construção da CNI, a utilização da capacidade instalada do setor foi de 69%, repetindo o índice de junho. A ociosidade é maior nas empresas de pequeno porte e nas atividades relacionadas à infraestrutura. É inegável o impacto negativo do baixo nível dos investimentos públicos nas empresas de construção.

O nível de atividade do setor, de 48,3 pontos, em julho, superou o de junho (47,7 pontos), mas foi bem inferior ao de julho de 2011 (50,1 pontos), quando a desaceleração já se prenunciava. Abaixo de 50 pontos, os indicadores entram na zona negativa. Também negativos foram os indicadores do nível de atividade em relação ao usual (45,5 pontos) e do número de empregados (48,2 pontos).

No segmento residencial, o ritmo depende da demanda da classe média e do programa social do governo - o Minha Casa precisa "deslanchar na faixa de renda das famílias mais desfavorecidas, com renda mensal de até R$ 1,6 mil", disse o presidente do Sinduscon, Sérgio Watanabe.

Os primeiros sinais de estabilização (ou queda) dos preços de imóveis em São Paulo podem esfriar o ânimo de empreendedores e compradores finais - alguns estão devolvendo imóveis adquiridos na planta, obrigando as construtoras a dar descontos. A euforia no mercado imobiliário está passando, mas tem seu lado positivo: nada pior do que aquisições por impulso, em que é maior o risco de inadimplência e perda do imóvel.

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