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A contradição entre dados do Caged e do desemprego

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), relativos ao emprego no Brasil, levantam a questão: como se pode explicar que uma taxa de desemprego tão baixa no geral (5,7% em fevereiro) conviva com saldos negativos da criação de empregos, especialmente na indústria e na agricultura, respectivamente, de 5.048 e de 17.084 vagas?

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h05

Sabemos que existe uma grande diferença entre os dados do Caged, relativos aos empregos com carteira assinada, e os do desemprego, elaborados pelo IBGE, que leva em conta todos os assalariados, mas apenas em seis regiões do País e que representam 22,5 milhões de pessoas ocupadas, ante 38,2 milhões nos dados do Caged.

O que nos parece importante nos dados divulgados pelo Caged é a curva do saldo líquido de postos de trabalho criados no País, levando em conta uma média móvel trimestral que é totalmente oposta à do desemprego do IBGE.

Particularmente interessante é o caso da indústria, que está em crise, mas não com uma queda violenta da sua mão de obra ocupada. Podemos nos referir aos dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais completos que os do IBGE para fevereiro. Para um faturamento que diminuiu 3,3% em valor real, em relação a fevereiro de 2011, as horas trabalhadas diminuíram 1,4%, mas o emprego cresceu 0,4% e a massa salarial aumentou, em valor real, de 6,2%.

Essa evolução aparentemente paradoxal pode ser explicada por uma redução da população economicamente ativa e uma diminuição do pessoal com carteira assinada. Pode-se considerar também que as empresas hesitam em mandar embora seus empregados por causa do alto custo da exoneração. É preciso levar em conta, ainda, a dificuldade atual de encontrar mão de obra especializada, fazendo as empresas "segurarem" os bons funcionários. Temos, porém, de levantar uma hipótese importante: será que, diante da má qualidade do ensino fundamental, que parece cair cada vez mais, a mão de obra não especializada tem hoje uma produtividade bem inferior à do passado? E isso não obrigaria as empresas a terem mais pessoal para produzir menos do que anteriormente?

O Caged traz uma informação importante quando aponta um saldo negativo no setor agrícola. Pode ser um problema sazonal ou um aumento da mecanização.

A deterioração nos saldos de empregos na indústria e na agricultura está sendo compensada pelo aumento dos empregos na construção civil e nos serviços: dois setores em que o salário mínimo pesa mais, o que aumenta os preços nessas atividades.

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