Joshua Bright/The New York Times
Joshua Bright/The New York Times

A crescente ameaça ao jornalismo em todo o mundo

No momento em que o nacionalismo ressurgente vem levando as pessoas a se recolherem, uma das mais importantes tarefas da imprensa é lançar uma luz para o exterior

A. G. Sulzberger, The New York Times

25 de setembro de 2019 | 18h02

Nossa missão no The New York Times é buscar a verdade e ajudar as pessoas a compreenderem o mundo. E isso de muitas formas, desde investigações sobre abuso sexual que contribuíram para desencadear o movimento global #MeToo até reportagens especializadas revelando como a tecnologia está remodelando cada faceta da vida moderna; e comentários culturais importantes e contundentes, como quando proclamamos que "o Aperol não é uma boa bebida".

Mas, num momento em que o nacionalismo ressurgente vem levando as pessoas a se recolherem,  uma das mais importantes tarefas do The Times é lançar uma luz para o exterior.

O Times tem o privilégio de ser uma das poucas organizações com recursos para cobrir o mundo em toda a sua complexidade. E com isso surge a responsabilidade de ir aonde a história está, não importa o perigo ou a dificuldade.

A cada ano, colocamos repórteres em campo em mais de 160 países. Estamos no Iraque e no Afeganistão, cobrindo a violência e a instabilidade forjadas por décadas de guerra. Estamos na Venezuela e no Iêmen reportando como a corrupção e os conflitos levaram à fome em massa. Estamos em Mianmar e na China, nos esquivando dos monitores do governo para investigar a perseguição sistemática dos Rohingyas e dos Uigures.

Essas incumbências implicam riscos consideráveis. Nos últimos anos, meus colegas foram feridos por minas terrestres, explosões de carros-bomba e quedas de helicópteros. Espancados por gangues, sequestrados por terroristas e presos por governos repressivos. Quando militantes atacaram um shopping center em Nairóbi, nosso jornalista podia ser localizado na multidão porque ele era o único a correr na direção do tiroteio.

Tendo coberto conflitos desde a Guerra Civil Americana, aprendemos com a experiência como apoiar e proteger nossos jornalistas em campo. Em qualquer ano, o orçamento da nossa redação inclui o financiamento de roupas à prova de bala, trajes de proteção contra material perigoso e carros blindados. Desenvolvemos planos de segurança detalhados para tarefas de alto risco, e nossos próprios jornalistas se prepararam obsessivamente. C.J. Chivers,  ex-fuzileiro naval que passou anos realizando reportagens sobre a guerra para o The Times, treinou para levantar o peso do seu fotógrafo de maneira que conseguisse carregar essa pessoa para local seguro se ela levasse um tiro ou fosse atingida por estilhaços.

Aqueles que, como nós, estão dirigindo o Times, têm dificuldade para não se preocupar, sabendo que temos colegas em lugares onde a guerra é intensa, as doenças se propagam e as condições deterioram. Mas nos tranquilizamos ao saber que, além de todas as nossas próprias preparações e todas as nossas salvaguardas, existe outra rede de proteção crítica: o governo dos Estados Unidos, o maior defensor do mundo da livre imprensa.

Nos últimos anos, contudo, algo mudou dramaticamente. Em todo o globo, uma campanha implacável tem tido como alvo os jornalistas, por causa do papel fundamentam que eles assumem para garantir uma sociedade livre e informada. Para impedir os jornalistas de exporem verdades nada confortáveis e exigir que o poder preste contas dos seus atos, um número crescente de governos tem adotado medidas abertas, às vezes violentas, para desacreditar o trabalho desses jornalistas, usando da intimidação para silenciá-los.

É um ataque em todo o mundo contra os jornalistas e o jornalismo. Mas, mais importante ainda, é um ataque ao direito da sociedade de saber, um ataque contra valores democráticos fundamentais, contra o próprio conceito de verdade. E, talvez ainda mais preocupante, as sementes dessa campanha foram plantadas aqui nos Estados Unidos, um país que sempre se orgulhou de ser o mais tenaz defensor da livre expressão e da livre imprensa.

Permitam-me dizer o óbvio? A mídia não é perfeita. Cometemos erros. Temos pontos cegos. E às vezes irritamos as pessoas.

Mas a livre imprensa é fundamental para uma democracia saudável e é possivelmente o instrumento mais importante que temos como cidadãos. Ela empodera o público, fornecendo a informação que necessita para eleger líderes e a contínua fiscalização para mantê-los íntegros. A livre imprensa testemunha nossos momentos de tragédia e triunfo e fornece a linha de base compartilhada dos fatos comuns e da informação que ligam as comunidades. Ela dá voz aos desvalidos e busca incansavelmente a verdade para expor as transgressões e promover a mudança.

Ela também está sob uma grande e crescente pressão. Nas duas décadas desde que comecei a trabalhar no The Providence Journal, escrevendo sobre a vida cotidiana na pequena cidade de Narragansett, a imprensa tem enfrentado uma sucessão de desafios existenciais.

O modelo de negócio baseado em publicidade que apoiava o jornalismo entrou em colapso, causando a perda de mais da metade dos empregos no campo do jornalismo nos Estados Unidos. Google e Facebook se tornaram os mais poderosos distribuidores de notícias e informação na história humana, desencadeando acidentalmente um fluxo histórico de desinformação nesse processo. E o aumento constante de medidas legais - desde processos contra autores de denúncias até processos de calúnia - visa a debilitar as salvaguardas consagradas para jornalistas e suas fontes. 

Ameaça visceral

Em todo o mundo, a ameaça enfrentada pelos jornalistas é muito mais visceral. O ano passado foi o mais perigoso já registrado para ser um jornalista, com dezenas de mortos, centenas deles aprisionados e milhares assediados e ameaçados. Entre eles, Jamal Khashoggi, assassinado e com o corpo desmembrado por assassinos sauditas, e Maksim Borodin, um jornalista russo que morreu caindo da sacada do seu apartamento depois de revelar operações ocultas do Kremlin na Síria.

O difícil trabalho do jornalismo sempre implicou riscos, especialmente em países sem proteções democráticas. Mas a diferença hoje é que essas repressões brutais vêm sendo aceitas passivamente e talvez mesmo incentivadas tacitamente pelo presidente dos Estados Unidos.

Os líderes deste país sempre entenderam que a livre imprensa é um dos maiores produtos de exportação dos EUA. Certamente se queixariam da nossa cobertura e se enfureceriam com os segredos que trouxemos à luz. Mas, mesmo que a política interna e a política externa mudassem, um compromisso básico de proteção dos jornalistas e seus direitos permaneceriam.

Quando quatro dos nossos jornalistas foram espancados e mantidos reféns pelo Exército líbio, o Departamento de Estado teve um papel crucial para assegurar sua libertação. Intervenções como esta foram com frequência acompanhadas por um aviso duro ao governo transgressor de que os Estados Unidos defendem seus jornalistas. 

Mas o governo atual recuou do papel histórico do nosso país como defensor da livre imprensa. Ao verem isto, outros países estão perseguindo jornalistas com uma percepção crescente de impunidade.

Este não é somente um problema dos repórteres: é um problema de todos, porque é desta maneira que líderes autoritários enterram a informação crucial, ocultam a corrupção e até justificam o genocídio. Como o senador John McCain alertou, certa vez, “quando você examina a história, a primeira coisa que os ditadores fazem é fechar a imprensa”.

Para dar a vocês uma ideia do que é esse recuo, permitam-me lhes contar uma história que nunca relatei publicamente antes. Há dois anos recebi um telefonema de uma autoridade do governo dos Estados Unidos nos alertando da iminente prisão de um jornalista do The New York Times baseado no Egito, chamado Declan Walsh. Embora a notícia fosse alarmante, o telefonema era na verdade muito padronizado. No decorrer dos anos, temos recebido um número incontável de alertas desse tipo, de diplomatas americanos, líderes militares e membros da segurança nacional.

Mas este telefonema particular foi mais surpreendente e angustiante. Soubemos que aquela autoridade estava transmitindo o aviso sem conhecimento ou permissão do governo Trump. Em vez de tentar impedir o governo egípcio ou ajudar o repórter, a autoridade achava que o governo Trump tinha intenção de ocultar a informação e deixar que a prisão prosseguisse. A autoridade temia ser punida por nos alertar para o perigo.

Incapaz de contar com nosso próprio governo para evitar a prisão ou ajudar a libertar Daclan caso ele fosse preso, recorremos ao seu país natal, a Irlanda, pedindo auxílio. Diplomatas irlandeses foram até a casa dele e o escoltaram são e salvo para o aeroporto antes de forças egípcias o deterem.

Não queremos nem imaginar o que teria ocorrido se não tivesse aquele corajoso membro do governo arriscado sua carreira para nos alertar para a ameaça.

Dezoito meses depois, outro repórter nosso, David Kirkpatrick, chegou ao Egito e foi detido e deportado, numa aparente retaliação por expor informação que estava incomodando o governo egípcio. Quando protestamos contra a medida, um membro do alto escalão da embaixada dos Estados Unidos no Cairo falou abertamente da visão cínica do mundo por trás da tolerância do governo Trump com esse tipo de repressão. “O que você espera que aconteça com ele?”, questionou. “Sua reportagem dá uma imagem ruim do governo.”

As 'fake news'

Desde que assumiu o governo, o presidente Trump postou mensagens no Twitter sobre “fake news” quase 600 vezes. Seus alvos mais frequentes são as organizações de notícias independentes, que têm um profundo compromisso de informar equitativa e acuradamente. Para ser absolutamente claro, o The Times e outras organizações noticiosas são o alvo das críticas. O jornalismo é uma iniciativa humana, e às vezes cometemos erros. Mas também procuramos assumir nossos próprios erros, corrigi-los e nos comprometermos diariamente com os mais altos padrões de jornalismo.

Mas, quando o presidente denuncia as “fake news”, ele não está interessado nos erros de fato. Ele tenta tirar a legitimidade da notícia real, rejeitando a reportagem factual e imparcial como mentiras politicamente motivadas.

Assim, quando o The Times revela as práticas financeiras fraudulentas da sua família, quando o The Wall Street Journal revela as enormes somas de dinheiro pagas a uma estrela pornô, quando o The Washington Post revela as atividades da sua fundação realizadas tendo em vista seu interesse pessoal, ele se esquiva da responsabilidade rejeitando a notícia como “fake news”.

Mesmo que todos esses casos - e muitos outros mais que ele rotulou como falsos - tenham sido confirmados como precisos, há evidências de que seus ataques alcançam o efeito desejado. Uma pesquisa recente concluiu que 82% dos republicanos confiam hoje no presidente Trump mais do que acreditam na mídia. Um dos apoiadores do presidente foi condenado recentemente por enviar explosivos à CNN, um dos mais frequentes alvos da acusação de fake news.

Mas, ao atacar a mídia americana, o presidente Trump tem feito mais do que corroer a fé dos seus próprios cidadãos nas organizações de notícias que tentam chamá-lo à responsabilidade. Ele efetivamente deu a líderes estrangeiros permissão para fazerem o mesmo com os jornalistas de seus países, e até lhes ofereceu o vocabulário para isso.

Eles adotaram com entusiasmo esse enfoque. Meus colegas e eu recentemente pesquisamos a propagação da frase “fase news”, e o que descobrimos é profundamente alarmante: nos últimos anos, mais de 50 primeiros ministros, presidentes e outros líderes de governo nos cinco continentes usaram o termo “fake news” para justificar vários níveis de atividade contra a imprensa.

A frase foi usada pelo primeiro ministro Viktor Orban, na Hungria, e pelo presidente Recep Tayyip Erdogan na Turquia, que estabeleceram multas enormes para forçar as organizações de notícias independentes a serem vendidas para aquelas leais ao governo. O termo foi usado pelo presidente Nicolás Maduro, na Venezuela, e pelo presidente Rodrigo Duterte, nas Filipinas, que atacaram a imprensa à medida que conduziam repressões sangrentas.

Em Mianmar, ele é usado para negar a existência de um povo inteiro, sistematicamente alvo de violência, com o fim de expulsá-lo do país. “Não tem nada com Rohingya”, disse o líder de Mianmar ao The Times. “Isto é fake news.”

O termo também tem sido usado para prender jornalistas em Camarões, para sufocar matérias sobre corrupção em Malawi, para justificar o blecaute da mídia social no Chade, impedir que organizações de notícias estrangeiras operem em Burundi. E vem sendo utilizado por nossos aliados antigos, como México e Israel, e por rivais antigos como Irã, Rússia e China.

O termo “fake news” é utilizado por líderes liberais, caso do primeiro ministro da Irlanda, Leo Varadkar. Por líderes de direita, como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Ao lado do presidente Bolsonaro, no Rose Garden da Casa Branca, o presidente Trump disse: “Estou muito orgulhoso de ouvir o presidente utilizar o termo 'fake news'”.

Nossos correspondentes estrangeiros vivenciaram o uso como arma da acusação de “fake news” em primeira mão. No ano passado, Hannah Beech, que cobre o Sudeste Asiático, estava presente em um discurso do primeiro ministro Hu Sen, do Camboja. No meio das suas observações, Hun Sen emitiu algumas palavras em inglês: “O The New York Times”. E afirmou que o jornal era tão parcial que recebeu um prêmio de “fake news” do presidente Trump, e ameaçou que, se nossa matéria não apoiasse sua versão da verdade, haveria consequências. Hannah sentiu uma crescente hostilidade na multidão de milhares de pessoas quando o primeiro ministro a buscou e alertou que “o povo cambojano se lembraria de seu rosto”.

Manifestei essas preocupações ao presidente Trump. Disse a ele que esses esforços para atacar e sufocar o jornalismo independente eram o que os Estados Unidos estavam agora inspirando no exterior. Embora  ele tenha me ouvido educadamente e manifestado interesse, continua a intensificar sua retórica contra a imprensa, que alcançou novos picos agora em sua campanha para a reeleição.

O presidente Trump não está mais satisfeito em deslegitimar a reportagem acurada como “fake news”, mas agora passou a demonizar os próprios jornalistas, chamando-os de “o real inimigo do povo” e os acusando até de traição. Com esses termos, ele não só tem inspirado dirigentes autocratas em todo o mundo como também tem adotado essa linha.

A frase “inimigo do povo” tem uma história particularmente brutal. Foi usada para justificar as execuções em massa durante a Revolução Francesa e pelo Terceiro Reich. E foi usada também por Lenin e Stalin para justificar o assassinato sistemático de dissidentes soviéticos.

A acusação de traição talvez seja a mais séria que um comandante pode fazer. Ao ameaçar processar jornalistas por crimes inventados contra seu país, o presidente Trump fornece para líderes repressivos uma licença implícita para fazerem o mesmo.

Nos Estados Unidos, a Constituição, o Estado de Direito e uma mídia de notícias ainda robusta atuam como elemento de coação. Mas, no exterior, líderes estrangeiros conseguem silenciar os jornalistas com uma eficácia alarmante.

Nick Casey, repórter do The Times que foi repetidamente ameaçado e no final impedido de entrar na Venezuela por suas reportagens sobre o brutal regime de Nicolás Maduro, sublinhou como as consequências podem ser muito mais graves para os jornalistas locais: “Se isto é o que os países são capazes de fazer no meu caso, que sou um jornalista do Times, o que devem fazer para seus próprios cidadãos?”, disse. “Coisa muito pior. E eu vi isso”.

Mesmo quando nos preocupamos com os riscos enfrentados por nossos repórteres, tais perigos normalmente são atenuados quando comparados com o que jornalistas locais corajosos confrontam em todo o mundo. Eles buscam a verdade e informam o que descobrem, sabendo que eles e seus entes queridos estão vulneráveis a multas, prisões, espancamentos, tortura, abusos e assassinato. Esses repórteres são os soldados na linha de frente da batalha pela liberdade de imprensa e são os únicos que pagam o preço pela retórica contra a imprensa do presidente Trump.

Os casos de intimidação e violência que abordamos hoje são apenas alguns dos que conhecemos. Não importa o dia: histórias similares ocorrem em todo o mundo e muitas delas jamais virão à tona ou serão registradas. Em muitos lugares, o temor de represálias é grande o bastante e tem um efeito aterrador - as reportagens não são publicadas, segredos continuam enterrados e as ilegalidades permanecem acobertadas.

Este é um momento perigoso para o jornalismo, para a liberdade de expressão e para uma sociedade informada.  Mas os momentos e os lugares onde é mais difícil e perigoso ser um jornalista são aqueles momentos e lugares onde os jornalistas são mais necessários.

Um périplo pela história da nossa nação lembra que o papel da livre imprensa tem sido uma das poucas áreas de consenso permanente, transcendendo partidos e ideologia por gerações. Thomas Jefferson escreveu que “a única segurança de tudo está na imprensa livre”. John F. Kennedy qualificou a livre imprensa como “bem incalculável”, porque, “sem o debate, sem a crítica, nenhum governo e nenhum país podem ser bem-sucedidos e nenhuma república consegue sobreviver”.

Ronald Reagan foi mais longe ao afirmar que “não há ingrediente mais essencial do que uma imprensa livre, forte e independente para o nosso sucesso constante” no que os pais fundadores da nação chamaram de “nobre experimento em autogoverno”.

Soando o alarme

Apesar dessa tradição de presidentes americanos defenderem a imprensa livre, não acredito que o presidente Trump tem alguma intenção de mudar de rumo ou silenciar seus ataques contra jornalistas. Se a história recente servir de guia, ele pode apontar para meus comentários hoje e afirmar que o The Times tem uma “vendetta” política contra ele. Para ser claro, não estou contestando a imprudência do presidente por causa do seu partido, sua ideologia ou suas críticas ao The Times.

Estou soando o alarme porque suas palavras são perigosas e têm consequências no mundo real e em todo o globo. Mas, mesmo se o presidente ignorar esse alerta e continuar neste caminho, há passos importantes que nós podemos dar para proteger a liberdade da imprensa e apoiar aqueles que dedicam suas vidas a buscar a verdade em todo o mundo.

Começa com o entendimento do que está em jogo. A Primeira Emenda tem servido como padrão ouro do mundo para a liberdade de expressão e a imprensa livre por dois séculos. Tem sido uma das chaves para o florescimento sem precedentes da liberdade e prosperidade deste país e, por meio do seu exemplo, no mundo todo. Não podemos permitir que uma nova estrutura global, como o modelo repressivo adotado pela China, Rússia e outros, se implante.

Isso significa, diante da pressão crescente, que as organizações de notícias têm de se apegar aos valores do grande jornalismo - imparcialidade, precisão, independência - e ao mesmo tempo se abrir para que o público possa compreender melhor nosso trabalho e papel na sociedade. Precisamos continuar indo em busca das histórias que importam, independentemente de serem ou não tendência no Twitter. Não podemos nos permitir ser atraídos ou aplaudidos para nos tornarmos oposição ou “claques” de alguém. Nossa lealdade tem de ser para com os fatos, não um partido ou um líder, e temos de seguir a verdade aonde ela nos leve, sem medo ou favor.

A responsabilidade de defender a livre imprensa vai além das organizações de notícias. Empresas, comunidades acadêmicas e sem fins lucrativos, todos  que dependem de um fluxo de notícias e informação têm a responsabilidade de promover essa campanha também. O que vale particularmente para gigantes da tecnologia como Facebook, Twitter, Google e Apple. Seu histórico de resistir a governos no exterior é irregular, no melhor dos casos; com frequência fecharam os olhos à desinformação e, às vezes, permitiram a supressão do real jornalismo.

Mas, à medida em que se aprofundam mais na criação e distribuição do jornalismo, elas também têm a responsabilidade de começar a defender o jornalismo.

Nossos líderes políticos também necessitam dar um passo. Os que foram eleitos para defender nossa Constituição traem seus ideais quando minam a livre imprensa por um ganho político de curto prazo. Líderes de ambos os partidos têm de apoiar o jornalismo independente e combater os esforços contra a imprensa, dentro e fora do país.

Aqui nos Estados Unidos, isso significa rejeitar medidas como ações judiciais frívolas e investigações visando vazamentos do governo que têm por objetivo atenuar relatórios agressivos. E, em todo o mundo, isso significa se opor aos esforços incontáveis em curso para atacar, intimidar e deslegitimar os jornalistas.

Finalmente, nenhuma das medidas fará alguma diferença, salvo se você levantar a sua voz. Preocupe-se com a origem da notícia e como foi produzida. Busque organizações de notícias nas quais confie e possibilite o caro e árduo trabalho das reportagens originais adquirindo uma assinatura. Apoie organizações como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas e Repórteres sem Fronteiras, que defendem os jornalistas em risco em todo o mundo. E sobretudo, crie um lugar para o jornalismo na sua vida diária e use o que aprendeu para fazer algo importante.

O real poder de uma imprensa livre é um cidadão informado, engajado. Acredito no jornalismo independente e desejo que ele floresça. Acredito neste país e em seus valores, e desejo que estejamos à altura deles para o oferecermos como modelo para um mundo mais justo e mais livre.

Os Estados Unidos fizeram mais do que qualquer outro país para popularizar a noção de liberdade de expressão e defender os direitos da imprensa livre. Chegou o momento de lutarmos novamente por esses ideais. / Tradução de Terezinha Martino

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