A crise automobilística afeta a produção industrial

Demissões, férias coletivas antecipadas, licenças remuneradas e paralisações nas linhas de montagem, frequentes desde 2014, têm sua explicação no comportamento do mercado de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões, ônibus, implementos e máquinas agrícolas e até motos, segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos (Fenabrave). Entre julho de 2014 e julho de 2015, as vendas de autos e comerciais leves caíram 21,58%; as de caminhões declinaram 47,36%; as de ônibus, 34,59%; e as de motos, 10,97%.

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 03h00

Entre os primeiros sete meses de 2014 e 2015, o número total de emplacamentos de automóveis e comerciais leves diminuiu de 1,862 milhão para 1,489 milhão – quase 280 mil unidades a menos (24,3%).

Ante a fraqueza do mercado, não chega a ser estranho que, apenas neste ano, uma multinacional de autopeças (Delphi) tenha fechado duas unidades no Brasil e pretenda desativar outra unidade. Uma exceção é a General Motors, que, ao mesmo tempo que corta pessoal e produção neste ano, anuncia a duplicação dos seus investimentos no Brasil até 2019, de R$ 6,5 bilhões para R$ 13 bilhões, segundo reportagem de Cleide Silva, no Estado.

Os números sobre as vendas de veículos no mês passado foram os piores em oito anos. O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Junior, já calcula que o recuo dos emplacamentos entre 2014 e 2015 chegue a 23,9%. Há um mês, a estimativa era de uma queda de 18,9%. Não se prevê grande mudança nos próximos meses, disse Assumpção.

Se as vendas de julho foram um pouco melhores do que as de junho (crescimento de 6,7% em automóveis), isso se deveu apenas ao número de dias úteis: 21 em junho e 23 em julho. A média diária de vendas foi de 9,5 mil unidades por dia útil em julho, abaixo das 9,8 mil por dia em junho. 

A indústria automobilística é o carro-chefe do setor de bens duráveis. A queda das vendas se reflete, portanto, sobre a indústria como um todo, que mostrou recuo de 10,7% em relação a maio em itens de consumo durável, após os ajustes sazonais. A produção e as vendas das montadoras ajudaram a empurrar para baixo o Produto Interno Bruto (PIB), cujo comportamento mostra que o País já entrou em recessão.

O maior obstáculo é vislumbrar o horizonte, numa conjuntura de queda de emprego e renda, juro alto e desconfiança causada pela dificuldade para conter o gasto público, investir e voltar a crescer.

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