A crise da indústria se aprofunda e se generaliza

Das 14 regiões incluídas na pesquisa industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em março 9 apresentaram alta em relação a fevereiro e 5 registraram queda – a média nacional caiu 0,8%.

O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 03h00

Mas, se os dados regionais sugerem uma pequena melhora em março, esta não se sustenta nas demais comparações: entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, apenas quatro regiões mostraram resultados positivos – e nenhuma se inclui entre as de maior dinamismo econômico. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) referiu-se a uma “situação gravíssima”, que “não se restringe a um de seus segmentos ou a uma localidade do País”. A crise é geral.

Em alguns Estados, o sobe e desce da indústria frustra as tentativas de planejamento de produção. É o caso do Amazonas, onde a produção subiu 12,2% entre os primeiros trimestres de 2013 e de 2014 e caiu 17,8% entre igual período de 2014 e de 2015. Em Pernambuco, após a queda de 5,2% no último trimestre de 2014, houve alta de 2% no primeiro trimestre. Só em Mato Grosso e no Pará houve cinco trimestres favoráveis seguidos, o que se deveu mais ao agronegócio e ao setor extrativo.

Entre fevereiro e março, a produção cresceu do mínimo de 0,3%, em Santa Catarina, ao máximo de 22,1%, na Bahia (um ponto fora da curva, pois na comparação com março de 2014 houve queda de 3,1%). Já entre as regiões que puxaram a queda mensal estiveram o Ceará, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e São Paulo. É o que mais preocupa, pois a crise se acentua nas áreas onde a indústria é mais forte.

Entre março de 2014 e março de 2015, a produção industrial paulista caiu 2,7%; a de Santa Catarina, 4%; a do Rio de Janeiro, 5,1%; e a de Minas Gerais, 9,7%. Em 12 meses, até março, na comparação com os 12 meses anteriores, houve queda no Rio (4,1%), em Santa Catarina (4,3%), em Minas (5,5%), em São Paulo (6,8%), no Rio Grande do Sul (7,1%) e no Paraná (8,4%).

As perspectivas se complicam: depois do recuo médio de 3,2% em 2014, a queda chegou a 4,7% no País nos últimos 12 meses, até março. Ou seja, a indústria perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado e poderá perder ainda mais neste ano, a se confirmar o quadro de enfraquecimento do emprego, da renda e da demanda. Um único ponto poderá ser menos desfavorável – o das exportações de manufaturados –, o que não basta para evitar novo declínio do setor.

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