A crise da siderurgia e a paralisia econômica

A recessão nos setores automobilístico, de construção civil e de infraestrutura, bem como a queda estimada em mais de 10% na formação bruta de capital, são fatores determinantes da crise da indústria siderúrgica. O alto nível de endividamento traz maiores dificuldades para grandes companhias, com reflexo sobre o emprego e a atividade econômica e social das regiões onde estão instaladas.

O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 03h00

As siderúrgicas são empresas de capital intensivo, muitas de grande porte - entre as 50 maiores do País. Em 2014, o Grupo Gerdau teve receita líquida de R$ 42,5 bilhões, a Arcelormittal Brasil faturou quase R$ 18 bilhões, a CSN vendeu R$ 16,1 bilhões e a Usiminas, R$ 11,7 bilhões. A presença de unidades fabris dessas companhias em cidades como Charqueadas, Cariacica, Volta Redonda ou Ipatinga - além de Cubatão - é decisiva para o emprego e a renda locais.

As dificuldades do setor não devem ser ignoradas. “As indústrias vivem a pior crise de sua história e não há horizonte de recuperação no curto prazo”, disse ao Estado o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.

Operando com 61,3% da capacidade, mais de 10 pontos menos do que a média mundial (71,9%), a indústria siderúrgica brasileira demitiu mais de 11 mil trabalhadores desde meados do ano passado, colocou 1,4 mil em regime de lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho) e outros 4 mil poderão ser dispensados nos próximos meses. Há 20 unidades de produção paralisadas ou desativadas.

Os prejuízos registrados em 2014 persistem, enquanto o endividamento - em reais e dólares - supera os níveis máximos ajustados com os credores. Duas grandes empresas do setor poderão renegociar dívidas bancárias. Quase todas vendem ativos para melhorar a situação patrimonial e reduzir compromissos.

Instalada no século passado, a siderurgia viveu dias de glória com o florescimento da indústria automobilística e o crescimento econômico. Hoje, esgotado o ciclo de consumo, tenta voltar-se para o mercado externo (deve exportar 40% da produção neste ano, segundo o IABr).

Em setembro, a siderurgia brasileira exportou 1,59 milhão de toneladas, mais do que o total de 1,48 milhão de toneladas colocado no mercado interno. Mas tem de enfrentar a concorrência da China, que perdeu dinamismo e cuja indústria também está ociosa. Exauridas as contas públicas, é improvável - e indesejável - um socorro oficial.

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