A crise de crédito é um desafio europeu, não de um país

A crise de crédito é um desafio europeu, não de um país

Cenário:

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

Prestes a encaminhar uma solução para a crise da Grécia, a União Europeia descobriu ontem, pela agência Fitch, quem será a próxima vítima da crise: Portugal. Desde que a degradação das finanças públicas na zona do euro foi "descoberta", no fim de 2009, a dúvida pairava entre a Irlanda, a Espanha, a Itália e o Reino Unido.

A "escolha" de Portugal levanta pelo menos uma constatação e uma interrogação. A constatação: a crise de credibilidade é europeia, e não nacional. É um desafio do bloco, não de um país. A afirmação pode parecer óbvia, mas contraria o menosprezo do governo da chanceler Angela Merkel, da Alemanha, com o países mediterrâneos, destratados pelo desleixo com as contas públicas.

Esses países são acusados de serem a causa do desequilíbrio enfrentado pela moeda única, que ontem caiu para o seu menor valor em relação ao dólar em 10 meses. A crítica alemã faz sentido, é claro. Dentre os cinco países mais frágeis aos olhos do mercado financeiro ? Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha ?, quatro são mediterrâneos. Ela omite, entretanto, que a adesão de cada um desses países à zona do euro ocorreu com o selo de garantia de Bruxelas, o que, na prática, representa o aval de duas capitais: Berlim e Paris.

Logo, se sucessivos governos mediterrâneos maquiaram estatísticas, primeiro para ingressar no euro e depois para evitar as advertências da Comissão Europeia, a responsabilidade deve ser compartilhada por quem lidera o grupo. E, pela influência que exercem, Alemanha e França estão na linha de frente.

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