A crise hídrica e o consumidor final

A crise de abastecimento de água não só aflige a população, como se reflete na inflação, mostra o índice de Custo de Vida por Classe Social (CVCS) para a região metropolitana de São Paulo, apurado mensalmente pela FecomercioSP. Por exemplo, os preços do subgrupo refrigerantes e água mineral subiram 13,3% em 2014, em comparação com 6,73% em 2013. Já os preços dos produtos e serviços em geral se elevaram em média 6%.

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h04

Com a falta de água em áreas metropolitanas, cresceu a demanda por água engarrafada não só para beber, mas para cozinhar e lavar pratos, com repercussão nos preços. Com o calor, o mesmo ocorreu com água mineral, refrigerantes e outras bebidas frias.

O CVCS mede separadamente os preços para o consumo em domicílio e fora do domicílio. E há uma sensível diferença com relação a 2013, quando os preços desses produtos, para consumo fora de casa, foram remarcados em 11,63%, acima dos preços nos supermercados. Isso se deve à alta do imposto sobre bebidas frias, repassada imediatamente a clientes por bares e restaurantes.

O peso desses subgrupos atingiu praticamente 1% do CVCS - elevando em 0,1 ponto porcentual o resultado do índice de 2014. A FecomercioSP nota que a mudança na base de cálculo do ICMS da água, que passou a ser considerado produto integrante da cesta básica, permitiu redução de preço, válida para embalagens retornáveis de 10 a 20 litros.

No item habitação, houve um alívio quanto às taxas de água e de esgoto, que pesam 1,3% no CVCS e caíram 27,34% entre 2013 e 2014. Foi boa a iniciativa do governo do Estado de oferecer bônus para os consumidores que economizam água.

Mas os gastos do consumidor, em especial das classes A, B e C, podem aumentar com o rodízio ou racionamento - e não só pela maior demanda. Se falta água, o recurso a caminhões-pipa pode ser inevitável, mesmo a custos cada vez mais elevados. E cresce a procura de recipientes para coletar água de chuva.

Tornou-se comum a instalação ou reposição de caixas d'água com maior capacidade ou até a perfuração de poços artesianos em condomínios residenciais. Os custos pressionam as contas de condomínio.

A conta de energia elétrica para uso residencial subiu 16,49% em 2014 e poderá subir entre 30% e 40% em 2015. A crise de abastecimento de água reduzirá mais o poder de compra do consumidor, especialmente das classes C, D e E. Ambas afetam até o comércio varejista.

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