‘A crise reposicionou o Brasil’, diz Ivan Zurita

Presidente da Nestlé Brasil acredita que fundamentos da economia brasileira não devem mudar, independentemente dos resultados das eleições presidenciais 

Leticia Bragaglia, do Economia & Negócios,

27 de setembro de 2010 | 07h37

Na agenda do presidente da Nestlé Brasil, compromissos de negócios dividem espaço com as aulas de ginástica e as escapadas, na hora do almoço, para ver a neta, Maria Eduarda, de 1 ano. Aos 57 anos, Ivan Zurita esbanja vigor e trabalha duro pra atingir uma meta ousada: "Vamos dobrar faturamento da companhia nos próximos 5 anos." Em entrevista ao portal Economia & Negócios, o executivo conta que, atualmente, busca o equilíbrio, mas admite: "Às vezes exagero nas horas trabalhadas, minha mulher já está acostumada. A vantagem é que  nunca leva trabalho pra casa e nem fico estressado com os funcionários."  (veja a entrevista completa nos 3 vídeos abaixo)

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Desde que assumiu a presidência da Nestlé no país, em 2001, Zurita alavancou os resultados da subsidiária brasileira, a segunda mais importante do mundo, perdendo apenas para a unidade norte-americana. O faturamento da Nestlé Brasil, nesse período, saltou de R$4 bilhões para R$16,4 bilhões. "Diante desses números conquistamos a confiança da direção geral da empresa. Por isso temos muita autonomia pra tomar decisões. Se não fosse assim, eu não conseguiria trabalhar," diz Zurita. O executivo garante, no entanto, que não é apenas o lado financeiro do negócio que o estimula: "O principal desafio de uma empresa de alimentos é trabalhar para reduzir o número de famintos no País. Gosto de saber que geramos empregos na cadeia produtiva." Em uma conta rápida, Zurita explica que, se a Nestlé reduzisse suas vendas em 5% em 2010, 20 mil pessoas perderiam seus empregos.

Tamanha responsabilidade faz com que Zurita se sinta sozinho em alguns momentos. "Tem horas que você não tem com quem dividir," diz ele, que aponta o empresário Antônio Ermírio de Morais, fundador do Grupo Votorantim, como grande fonte de inspiração na hora de tocar os negócios. "Ele sempre foi um entusiasta do Brasil, investiu aqui em uma época em que não existia infraestrutura e nem crédito no país."

Questionado sobre a possibilidade de assumir algum cargo na sede da empresa, em Vevey, na Suiça, Zurita responde, bem humorado. "Eu até já fui convidado, mas acho que não é o momento. Em outras épocas eu até toparia. Mas hoje não. Lá eu teria um lindo escritório de frente para um lago. Mas prefiro a vibração daqui, o dinamismo, o sabor da decisão. Além disso, quero estar perto da minha netinha."

Veja nos vídeos anexados a entrevista completa, na qual Ivan Zurita fala também sobre a fazenda na região de Araras, onde nasceu, e a paixão pela criação de gado.

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