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Voz do Mickey, secretário ganha redes sociais na defesa da reforma

Secretário especial da Previdência, Bruno Bianco, usa fama repentina para falar da Previdência

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 04h00
Atualizado 18 de março de 2019 | 14h22

BRASÍLIA - Alçado aos tópicos mais comentados do Twitter no dia da apresentação da reforma da Previdência, o secretário-adjunto especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco Leal, converteu sua fama repentina em instrumento de propaganda e defesa da proposta que ajudou a elaborar. Em seu perfil recém-criado na rede social, já acumula 11,3 mil seguidores que recebem até “videoaulas” sobre a situação catastrófica das contas da Previdência.

No episódio mais recente, foi Bianco quem saiu em defesa da reforma e desafiou publicamente Ciro Gomes, terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais, a provar a veracidade de uma informação divulgada pelo ex-candidato - que acabou desmentida pelo governo. A missão faz parte da estratégia de comunicação do governo para vencer a batalha pela aprovação da proposta no Congresso Nacional.

Em 20 de fevereiro deste ano, enquanto integrantes da equipe econômica anunciavam em uma entrevista de mais de quatro horas uma ampla proposta de mudança na vida e na aposentadoria de todos os brasileiros, Bianco virou assunto nas redes por conta da voz mais aguda. A característica, que ele carrega desde o nascimento, se deve a um hiato nas pregas vocais, que acaba deixando o ar passar em meio às cordas durante a fala.

A pessoas próximas, Bianco demonstrou não ter se importado com o entusiasmo dos internautas, que chegaram a compará-lo ao Mickey, personagem da Disney. Pelo contrário, virou o jogo a seu favor e se engajou na tarefa de usar o sucesso nas redes para angariar apoiadores da proposta na população e “neutralizar” informações falsas que acabam sendo disseminadas na internet.

Após o episódio, técnicos comentaram nos corredores que Bianco chegou a receber mensagens de apoio de fonoaudiólogos e atribuiu a repercussão ao fato de que as pessoas se identificam quando alguém deixa as inseguranças de lado para encarar um desafio. Falar em público para ele nem chega a ser novidade: graduado e com mestrado em Direito, ele dá aulas há dez anos.

O secretário acabou caindo nas graças também dos agentes do mercado financeiro, que ligam para a sede da Secretaria Especial pedindo nominalmente por uma agenda com Bianco. Na equipe econômica, a expectativa é que ele use a experiência adquirida durante a reforma do ex-presidente Michel Temer, quando já integrava o governo, para ajudar nas negociações técnicas e evitar os erros anteriores.

Na esteira dessa popularidade, ele participou de um programa humorístico de rádio e já gravou nove vídeos publicados em seu Twitter – os últimos dois bateram recorde de visualizações e contam com a participação da filha mais velha, Lara, de seis anos. Juntos, os dois fazem massa de modelar enquanto ele explica a situação das finanças do INSS e do regime dos servidores públicos. Bianco ainda tem uma segunda filha, Lis, de sete meses.

 

Carreira

Bianco tem 37 anos e é procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU). Ele trabalhava como assessor na Casa Civil quando a reforma de Temer estava sendo gestada. Partiu dele a iniciativa de acabar com a aposentadoria especial dos políticos (que permite benefícios de até R$ 33,7 mil mensais) e estabelecer que todos os novos eleitos passariam a contribuir para o INSS, como qualquer brasileiro. Esse hoje é um dos pilares repetidos pelo presidente Jair Bolsonaro na defesa do fim dos privilégios.

O secretário-adjunto especial se graduou em Direito em 2005, fez duas especializações e, já focado em Previdência, concluiu o mestrado em 2017, ano que foi o auge dos debates sobre a reforma de Temer no Congresso Nacional. Bianco compareceu praticamente a todas as audiências públicas. Na sua dissertação, falou da situação dramática das contas e alertou para o caso de Portugal, cujo Judiciário acabou tendo de recorrer uma “jurisprudência de crise” para permitir corte de benefícios e conseguir recolocar as finanças o País em equilíbrio - situação que ele defende ser preciso evitar a todo custo no Brasil.

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