A demanda doméstica não sensibiliza a indústria

Na fase atual da economia brasileira, será muito difícil conter o crescimento da demanda doméstica. A Pesquisa Mensal de Emprego relativa ao mês de maio, do IBGE, mostra o que se tem de enfrentar para isso, num ambiente de quase pleno emprego.

, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A pesquisa abrange seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) nas quais a população economicamente ativa (ocupada e desocupada) é estimada em 24 milhões de pessoas, com crescimento de 1,3% em um ano. Ela não inclui todas as regiões metropolitanas nem a zona rural, que hoje vive fase de excepcional prosperidade, em razão da alta dos preços das commodities agrícolas e dos ganhos de produtividade.

Em maio a população ficou estável, em relação ao mês anterior, mas com 552 mil pessoas a mais ocupadas, em relação a maio de 2010, que engrossaram a relação de novos consumidores. Note-se que, em relação ao mesmo mês do ano anterior, mais 676 mil empregados conseguiram carteira assinada, isto é, obtiveram uma melhor proteção social, que se traduz por maior receita para a Previdência, mas também maiores gastos.

Para avaliar o impacto dos rendimentos sobre a demanda interna, há que se notar que o rendimento real dos ocupados, de R$ 1.566,70, é o mais elevado para o mês de maio (em valor real) desde 2002, com alta de 1,1% sobre o mês anterior, e de 4% sobre maio do ano passado. A massa de rendimentos real, de R$ 35 bilhões, ficou 1,6% acima da de abril e 6,6% maior que a de maio de 2010, sem esquecer que há grandes diferenças entre os setores de atividade: o maior crescimento, em um ano, foi na construção civil - 9,5%, com 7,7% da população ocupada.

Esses dados permitem prever que a demanda doméstica continuará robusta e, no entanto, a produção industrial não parece refletir esse avanço da demanda. Segundo a sondagem industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a atividade do setor permanece abaixo do normal para este período do ano. O índice de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) continua abaixo do nível usual, embora a expectativa para junho acuse uma reação positiva.

É de perguntar se não houve, nos meses anteriores, um excesso de investimentos. Todavia, o problema essencial parece estar na pouca agressividade do setor secundário, que, depois de se aproveitar da taxa cambial para comprar componentes estrangeiros, agora aceita importar bens acabados. Será preciso o governo agir para salvar nossa indústria?

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