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A demanda dos bônus e a oferta de crédito externo

O Tesouro Nacional emitiu US$ 3,2 bilhões em bônus soberanos com vencimento em 2025, dos quais US$ 1,7 bilhão substituirá outros papéis brasileiros negociados no exterior. Os investidores receberão 180 pontos básicos acima da taxa de juros dos títulos norte-americanos de mesmo prazo (isto é, 4,3% ao ano), bem mais do que na emissão anterior (2,75% ao ano, em maio). Piorou, pois, a visão dos aplicadores com o País. Mas o secretário do Tesouro, Arno Augustin, comentou que a operação mostra os "fundamentos sólidos" da economia brasileira. Na verdade, não é o que dizem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em relatórios tornados públicos nesta semana.

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2013 | 02h03

A venda de títulos soberanos do País ocorre poucos dias após a constatação de que o banco central norte-americano (Fed) continuará praticando uma política expansionista. Ou seja, o Fed só aplicará o tapering (corte do montante mensal de US$ 85 bilhões empregado na aquisição de títulos de base imobiliária) no futuro. Provavelmente, só em 2014 - e se essa for a estratégia de Janet Yellen, que sucederá ao atual chairman, Ben Bernanke, em janeiro.

A operação de venda de títulos soberanos não elimina outras indicações de redução da oferta de recursos para o Brasil. Entre abril e junho, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), as linhas de crédito dos bancos internacionais para o País foram reduzidas em US$ 41 bilhões. Os europeus cortaram US$ 35,4 bilhões, dos quais US$ 16,3 bilhões relativos à Espanha. E os bancos norte-americanos reduziram a exposição ao Brasil em US$ 20 bilhões. Ao mesmo tempo, houve cortes nas linhas de crédito da Rússia, do México e da Índia, mas em proporções muito inferiores aos das linhas para o Brasil. Paralelamente, cresceram os empréstimos para China, Tailândia, Taiwan e Turquia.

Desde maio, há uma reavaliação geral de riscos, depois que o Fed passou a tratar do aperto da política monetária, para quando se consolidar a recuperação. O corte de linhas coincidiu com a volatilidade intensa das cotações do dólar no Brasil. E veio antes que o Banco Central adotasse uma política agressiva de oferta de dólares.

Por mais reservas que o Brasil tenha (US$ 377,5 bilhões, terça-feira), elas não permitem definir a paridade real/dólar, como faz a China com o yuan. Mesmo que o governo Dilma corrija a política econômica, não estará imune às oscilações do dólar nem à maior atratividade dos EUA para os investidores globais.

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