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A deterioração continua

Índice de desocupação e resultado das contas públicas são mais duas notícias ruins sobre o desempenho da economia brasileira

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2016 | 21h00

Nesta sexta-feira saíram mais duas informações negativas sobre o desempenho da economia brasileira.

 

A primeira delas foi o aumento do desemprego, tal como avaliado pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio - Contínua, a Pnad Contínua. A outra é o rombo das contas públicas, que não para de crescer.

Nada menos que 10,9% da população economicamente ativa está procurando trabalho e não encontra. É um número já mais alto do que o da União Europeia, que ostenta um desemprego de 10,2%. Quando a Pnad Contínua começou seus levantamentos, em 2012, o desemprego do primeiro trimestre era de 7,9%. 

Desta vez, são 11,1 milhões de desempregados, um número que tende a aumentar à medida que a recessão continuar se aprofundando. Consistentes com essa situação são os dados apresentados sobre o rendimento médio real habitualmente recebido, que caiu 3,2% em relação ao observado no primeiro trimestre de 2015. 

O impacto sobre o poder aquisitivo da população exercido pela inflação e pela retração da atividade econômica continuará derrubando o consumo e tende a trabalhar pela redução da inflação, o que tem lá seu lado positivo. O que poderia alterar esse cenário de sacrifício seria uma rápida recuperação da confiança e nova onda de investimentos, hipótese contemplada caso haja troca de governo.

A outra informação negativa deve ser considerada uma daquelas situações que são mais do mesmo. É nova deterioração das contas públicas, em março, que incluem governo federal, Estados, municípios e empresas estatais. O rombo (déficit primário), tal como divulgado ontem pelo Banco Central, ficou nos R$ 10,6 bilhões.

Em março de 2015, o resultado foi positivo, superávit de R$ 239 milhões. Embora deem uma ideia da piora do quadro, as duas magnitudes não são inteiramente comparáveis, porque envolvem situações diferentes.

A novidade desta vez está em que o resultado nominal, que na conta incluem os juros, foi melhor do que o doresultado primário (que exclui os juros). Ficou negativo em apenas R$ 9,9 bilhões porque o Banco Central recebeu R$ 648 milhões em juros obtidos nas suas operações cambiais.

Mas, atenção, este é um resultado aleatório que dificilmente será repetido e não muda o filme ruim das contas. Também não reverte a trajetória da dívida pública bruta, que estava em dezembro de 2012 nos 53,8% do PIB, alcançou os 67,3% do PIB e, em alguns meses, deve saltar para além dos 70% do PIB. O déficit se transforma em dívida, porque, de alguma forma, os governos terão de levantar financiamentos para cobrir a diferença entre receitas e despesas. 

Ao contrário do desemprego, que poderia ser contido em prazos relativamente curtos se houver recuperação da confiança e dos investimentos, essa carga pesada e duradoura das contas públicas vai sobrar para o governo que sobrevier ao processo de impeachment.

CONFIRA:

O comportamento do câmbio continua surpreendendo. Nesta sexta, as cotações voltaram a deslizar. Fecharam a 

R$ 3,4374 por dólar. No mês de abril, a queda acumulada foi de 4,3%.

Até onde?

Não é segredo que esse comportamento tem a ver com a expectativa de que virá um governo mais comprometido com a recuperação dos fundamentos da economia. A provável nomeação do economista Henrique Meirelles para a Fazenda não garante maiores quedas do dólar, porque será preciso ver qual será a política do novo governo para o câmbio.

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