A difícil relação comercial entre Brasil e Japão

Moratória da dívida externa, nos anos 80, afastou investidores japoneses, e exportações não emplacam

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

País que já foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos, o Japão recebe hoje menos de 3% das exportações brasileiras. De um dos maiores investidores estrangeiros no País até o início dos anos 80, hoje o Japão é responsável por apenas 4% do Investimento Estrangeiro Direto no País - foram apenas US$ 647,5 milhões em 2006."A relação Brasil-Japão jamais se recuperou da crise da dívida externa nos anos 80", explica o diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, que participa do Simpósio Econômico Brasil-Japão, a ser realizado na quarta-feira, em São Paulo, numa parceria entre o Estado e o Nihon Keizai Shinbum, do Grupo Nikkei.O Japão foi grande investidor no Brasil na década de 70 e no início dos anos 80. O investimento japonês foi fundamental para a criação da siderúrgica Usiminas, das empresas de alumínio Alunor e Albras, da Cenibra (Celulose Nipo-Brasileira), e para a exploração de minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce na Serra de Carajás. Também houve investimento em hidrelétricas e ferrovias. Mas a crise da dívida externa na América Latina, na década de 80, provocou uma ruptura nas relações com o Japão, que foi afetado diretamente pela moratória declarada pelo Brasil. "Houve uma quebra de confiança, e os investimentos caíram muito", ressalta o diretor da Fiesp. Giannetti da Fonseca ressalta que nem mesmo as privatizações, quando o Brasil atraiu investidores de vários países, foram suficientes para atrair o interesse do Japão. "Não há um caso de companhia japonesa nas privatizações brasileiras." A visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão em 2005, que contou com a participação de 700 empresários dos dois lados, não adiantou muito. Apesar das promessas de abertura de mercado para o etanol brasileiro, de lá para cá não se vendeu uma gota do combustível. Alguns contratos importantes de financiamento de refinarias e plataformas junto com a Petrobrás saíram do papel, mas nada comparável ao volume dos anos 70. Nem mesmo a manga brasileira emplacou no Japão. Há três anos, quando o governo brasileiro conseguiu derrubar uma barreira fitossanitária imposta 32 anos antes, o Ministério da Agricultura apostava na venda da fruta produzida no Vale do São Francisco e em algumas regiões de São Paulo e chegou a falar em exportação potencial de 5,2 mil toneladas, equivalente a US$ 10 milhões de dólares. Se há alguma exportação da fruta hoje, é marginal e não chega a entrar nas estatísticas do ministério.A pauta de exportação brasileira hoje não é muito diferente do que sempre foi, com minérios, café e suco de laranja. Mais recentemente, a Embraer conquistou alguns clientes e começou a vender aviões. Em 2006, o Brasil exportou o equivalente a US$ 3,89 bilhões e importou US$ 3,84 bilhões. Os dados de 2007 ainda não foram consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, mas as exportações e as importações devem superar a casa dos US$ 4 bilhões cada, com superávit para o Japão.

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