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A disputa bilionária das chapinhas

Empresas investem em equipamentos para o cabelo das brasileiras, que gastam R$ 4,2 bi ao ano para tratá-los

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2007 | 00h00

Está começando uma guerra no mercado de equipamentos elétricos de cuidados pessoais. São secadores de cabelos, chapinhas, modeladores de cachos, aparelhos de barbear e depiladores que passaram a ser o foco de interesse de grandes indústrias.  A Arno, do grupo francês Seb, por exemplo, acaba de fechar uma parceria mundial com a agência de modelos Elite Model para dar glamour aos equipamentos. A holandesa Philips quer dobrar as vendas de equipamentos de cuidados para cabelo, aparelhos de barbear e depiladores no País. A brasileira Taiff pretende aumentar em até 30% as vendas de secadores, chapinhas e modeladores de cabelo este ano. E a Britânia, também nacional, ampliou a linha de secadores.  Vários fatores explicam esse repentino interesse pelo mercado de cuidados pessoais. Em 2006, os cosméticos e artigos de higiene pessoal movimentaram R$ 17 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Desse total, 25% - R$ 4,25 bilhões - se referem a equipamentos para cabelos, diz Fernando Perfeito, diretor de Planejamento de Marketing da Beauty Color, de tintura para cabelo.  Na análise de Perfeito, os fabricantes desses equipamentos elétricos querem pegar carona num novo mercado. São os transformadores, que permitem fazer a escova progressiva para o alisamento em casa, com uso de secador e pranchas, sem riscos e com maior durabilidade. Pesquisas mostram que 64% das brasileiras têm cabelos ondulados ou crespos e 68% estão insatisfeitas com o tipo de cabelo.  A Beauty Color planeja lançar no começo do ano que vem uma linha de transformadores para cabelos crespos e cacheados. "Os transformadores, que respondem por 5% do faturamento do mercado de produtos capilares, são uma oportunidade para as indústrias de cosméticos e de eletroportáteis", diz o executivo.  Além do avanço da indústria da beleza, o crédito farto, com prazos alongados, e a forte entrada dos produtos asiáticos favorecidos pela valorização do real acirraram a disputa pelo consumidor. O Brasil é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, só perde para os EUA e Japão.  "Não queremos que o nosso equipamento seja uma mercadoria comum, uma commodity", diz o presidente da Arno, Marcio Cunha. Esse foi o motivo pelo qual a companhia fechou uma parceria internacional com a agência de modelos Elite Model e lançou uma linha de produtos batizada de Arno for Elite Model.  O contrato é de três anos e foi fechado entre as duas empresas em 15 países. No Brasil serão investidos R$ 5 milhões em marketing para lançar quatro produtos: um secador que alisa, uma chapinha, um modelador de cachos e um secador profissional. Até o fim do ano, serão feitos mais dois lançamentos.  A intenção é rejuvenescer a marca para conquistar o público jovem, diz o presidente da Arno. A linha de cuidados pessoais responde por 7% das vendas da empresa no País, de R$ 890 milhões em 2006. "Em três anos, queremos ser líderes de mercado."  A Philips também tem planos agressivos. "Queremos dobrar as vendas de haircare, aparelhos de barbear e depiladores elétricos", diz o vice-presidente de equipamentos domésticos e cuidados pessoais para América Latina, Marcelo Padovani.  O executivo diz que 65% das vendas da sua divisão são de equipamentos domésticos e 35% de produtos de cuidados pessoais. "Estamos desbalanceados", afirma. A meta para este ano é ampliar para 40% a participação dos cuidados pessoais no faturamento da empresa na América Latina.   Ele vê uma grande oportunidade de crescimento nas vendas de equipamentos de cuidados pessoais. Enquanto na Argentina 8% da população usa barbeador elétrico, no Brasil esse índice é de 3%. Nos depiladores, a média é de 20% na Argentina e 3% no Brasil.  A Taiff, que se diz líder no mercado de secadores, chapas e modeladores para cabelos, não está incomodada com a investida da Arno e da Philips. "Estamos nos consolidando como líder de mercado", diz a gerente Marketing, Débora Figueiredo. A empresa planejou para este ano oito lançamentos: cinco secadores, duas chapinhas e uma máquina de corte de cabelo.

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