A Dotz cai no mundo real

Criada em 2001, logo após o estouro da bolha da internet, a Dotz, de São Paulo, uma das principais empresas de fidelidade do País, atuou nos últimos nove anos basicamente na web. Nesse meio tempo, angariou cerca de 1,5 milhão de usuários em seu sistema, que permite a troca de pontos obtidos na compra de empresas parceiras por produtos e serviços. Às vésperas de completar sua primeira década de existência, a companhia resolveu cair no mundo real, investindo pesadamente no varejo offline. "Na primeira fase, acompanhamos o ritmo de evolução do e-commerce", diz Roberto Chade, presidente da Dotz. "Agora, queremos transformar a Dotz na segunda moeda de compra do consumidor brasileiro."

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

Os planos de Chade são ambiciosos. Sua principal aposta é a popularização do modelo de coalização praticado pela Dotz, que, ao contrário dos programas de milhagem tradicionais, baseados principalmente na oferta de passagens aéreas gratuitas, dá aos consumidores um leque maior de alternativas para utilizar os pontos adquiridos. "Com a nossa moeda, o consumidor utiliza seus pontos onde e quando quiser", diz. Como pano de fundo dessa estratégia está a emergência de cerca de 30 milhões de consumidores da classe C, que precisam ser fidelizados pelas empresas. "Para esse consumidor, milhas de viagem pouco representam", afirma.

A Dotz escolheu Belo Horizonte, mercado considerado exigente e difícil, como piloto para testar essa nova fase. "Se for aprovado lá, dá certo em qualquer outro lugar", diz. Em parceria com 70 empresas, que incluem nomes como Banco do Brasil, Ale Combustíveis, Bob"s e a rede de supermercados Super Nosso, num total de 300 pontos de venda, passou a oferecer seu cartão de fidelidade. O lançamento, em novembro do ano passado, foi precedido de uma campanha de publicidade e promoção que consumiu R$ 10 milhões. Segundo Chade, os resultados iniciais superaram as expectativas: em cinco meses, foram emitidos 250 mil cartões. "Isso representa 30% dos clientes de nossos parceiros que aderiram à fidelização", afirma.

Para este ano, estão programadas ações semelhantes em Porto Alegre, Rio de Janeiro e numa capital nordestina a ser determinada no segundo semestre. Ao todo, deverão ser investidos US$ 40 milhões em 2010. Boa parte dos recursos virá da canadense Air Miles, maior empresa de fidelidade do mundo, que adquiriu um naco de 29% do capital da Dotz, em 2008. Com o suporte financeiro e a tecnologia do sócio, Chade acredita que a Dotz, que deverá faturar R$ 40 milhões, irá decolar. Esse valor deverá multiplicar-se por cinco, chegando a R$ 200 milhões já em 2011, quando ele espera contar com 20 milhões de usuários. "Depois, o céu é o limite", afirma.

TELEVISÃO

Mônica e Cebolinha voltam à Globo

A Rede Globo e a Mauricio de Sousa Produções anunciarão na tarde desta segunda-feira uma parceria, cujo conteúdo não foi revelado pelas partes. Extraoficialmente, porém, sabe-se que se trata do retorno de Mônica, Cebolinha, Magali e sua turma à tela da emissora, de onde estão afastados desde 2002. A volta dos desenhos animados dos personagens criados pelo cartunista Mauricio de Sousa vinha sendo negociada há pelo menos um ano. À Globo interessa tê-los em sua programação para alavancar a audiência do público infantil. Para a Mauricio de Sousa, a veiculação na principal rede de televisão do País representaria um forte impulso no licenciamento de suas criações.

PROMOÇÃO

Rede de shoppings levará 80 à Copa

A Copa do África inspirou a Ancar Ivanhoe, administradora de 11 shoppings no País, entre eles o Eldorado, de São Paulo, a realizar a maior promoção da sua história. Está investindo R$ 5 milhões para levar 40 clientes, com acompanhantes, para o Mundial deste ano. Cada R$ 150 em compras com o cartão Visa vale um cupom para ser depositado nas urnas espalhadas pelos shoppings. Os sorteados terão todas as despesas pagas, incluindo passeios turísticos e ingressos para o jogo Brasil e Costa do Marfim. A meta da administradora, controlada pela família Andrade de Carvalho, fundadora do extinto banco Andrade Arnaud, e pelo grupo canadense Ivanhoe Cambridge, é alavancar em 15% as vendas de maio a junho.

CONSTRUÇÃO

Esser busca primeiro bilhão em 2010

Comandada por dois filhos de Elie Horn, dono da construtora Cyrela, a Esser Empreendimentos projeta atingir o primeiro bilhão de reais em vendas imobiliárias este ano. Em 2009, o faturamento da construtora ficou em R$ 350 milhões. Segundo os cálculos da Esser, para atingir a meta bilionária será necessário lançar dez dos 14 empreendimentos previstos para este ano na capital paulista e em Santo André, no ABC. Segundo Maurício Ribeiro, gerente de marketing da Esser, a empresa manterá a aposta de 2009, de investir em imóveis compactos, de um e dois dormitórios, cujo maior atrativo é a rentabilidade. "Os compactos são mais rentáveis, demandam terrenos menores e projetos mais simples e baratos que os grandes condomínios", diz.

SEGURANÇA

Vault fatura com aumento de roubos a bancos

Com a escalada de assaltos a bancos no País, estão aumentando os investimentos em soluções de segurança - no ano passado, por exemplo, 196 agências e postos bancários na região metropolitana de São Paulo foram alvo de roubos. Como sempre, problemas do gênero representam oportunidade de negócio para alguns. É o caso da Vault, empresa especializada em blindagem arquitetônica, que entrou no nicho de cofres de alta segurança há dois anos. Além de já ter em sua carteira clientes como o Banco Safra, Itaú Unibanco e Santander, a Vault acaba de fechar um contrato para a entrega de 480 cofres para o Banco do Brasil, num valor ao redor de R$ 5 milhões. Segundo Vinicius de Luca, diretor da Vault, há outros negócios engatilhados com empresas de transportes de valores.

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