A economia brasileira sofre com a volatilidade dos juros

O Comitê de Política Monetária (Copom), que hoje, na última reunião do ano, fixará a taxa básica de juro, costuma afirmar que o efeito pleno de uma nova taxa na economia só aparece depois de seis meses. Mas já se notou que sua redução tem efeito muito rápido sobre os juros efetivamente praticados.

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h08

Acredita-se que o Copom poderia, agora, fixar uma taxa menor do que se previa, mantendo-a por mais tempo, para reduzir a volatilidade das taxas de mercado, o que permitiria um planejamento mais seguro da atividade empresarial. Ao mesmo tempo, deveria ter como objetivo reduzir a volatilidade da taxa cambial, excessivamente ampla no Brasil, pois vinculada à variação da taxa de juros básica, o que atrai operações de arbitragem com divisas de outros países em razão da alta remuneração das operações de trocas de moeda estimuladas pela taxa Selic.

Não se pode negar que a taxa básica de juros no Brasil embute uma memória da hiperinflação, que marcou nossa história recente, e também um sistema de indexação ainda presente, por exemplo, na fixação do salário mínimo para o início de 2012.

O Copom tem de levar em conta esses fatores, ainda que se possa pensar que deixou de se aproveitar da mudança do quadro econômico internacional quando, em 2008, não reduziu a taxa básica para aproximá-la das taxas vigentes em países com os mesmos problemas, preservando a possibilidade de aumentá-la, por um tempo restrito, diante de uma eventual ameaça inflacionária.

O essencial é diminuir a volatilidade da taxa básica para que a formação dos preços se realize com maior segurança, e não se antecipe a uma nova alta da Selic no curto prazo, permitindo assim mais investimentos.

O que orienta as empresas é, sem dúvida, a evolução do mercado futuro de juros, que varia segundo a interpretação que o mercado possa dar às decisões do Copom. Se essas decisões fossem tomadas por prazos mais dilatados, as empresas poderiam calcular melhor os seus preços e reduzir suas perdas, especialmente levando em conta que a taxa básica de juros futura influi sobre a taxa cambial e favorece a atuação dos especuladores, com consequências negativas, na medida em que estimula as importações.

Se o Copom considera que deve reduzir a taxa básica de juros, seria útil que o fizesse dando ao mercado uma mensagem de que a redução foi fixada em nível baixo, mas por um período prolongado o bastante para que não se anteveja nova redução num prazo médio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.