A economia global e o mercado de petróleo

A recuperação das cotações do petróleo, enfatizada no mais recente relatório mensal da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), é um indicador positivo da situação econômica global. O crescimento da zona do euro no primeiro trimestre, por exemplo, foi estimado em 0,4%, acima do aumento de 0,3% observado no último trimestre de 2014, como informou a agência Eurostat, que acompanha a economia europeia. Aos poucos, a região se beneficia da política de expansão monetária do Banco Central Europeu, presidida por Mario Draghi.

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2015 | 02h03

O mercado de petróleo está em plena transição e é tratado com cautela no estudo da IEA. Depois da queda vertiginosa entre meados de 2014 e início de 2015, de mais de US$ 110 o barril para menos de US$ 50 o barril em janeiro, as cotações voltaram a subir.

Entre março e abril, as cotações do óleo tipo WTI aumentaram 14%, superaram os US$ 60 o barril e continuavam em alta no início de maio. Entre abril de 2014 e abril de 2015, a oferta global aumentou 3,2 milhões de barris/dia, atingindo 95,7 milhões de barris/dia. Entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, foi de 92,2 milhões de b/d para 95,1 milhões de b/d.

A demanda também cresceu, mas em ritmo menor - o aumento previsto para o ano é de 1,1 milhão de b/d, 0,7 milhão de b/d superior ao de 2014. As baixas temperaturas e a melhora das perspectivas para a Europa Ocidental empurraram a demanda para cima, em contraste com a Europa Oriental, o Oriente Médio e a América Latina.

A queda de braço entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e os produtores nos Estados Unidos está em curso - e não há um vencedor à vista. Mas, enquanto os países da Opep voltam a exportar mais, começa a se estabilizar a produção do óleo de folhelho (shale oil) nos Estados Unidos, que perdeu poder de competição com o petróleo em razão da queda dos preços.

O relatório avalia melhor a situação do petróleo no Brasil: "Para além dos contratempos, a Petrobrás também mostra uma história de sucessos". Embora obrigada a investir menos, os investimentos realizados em plataformas começam a dar resultado e, segundo a IEA, a produção cresceu 17% entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015.

O mercado global é relevante para a Petrobrás: as cotações mais baixas, embora desestimulem investimentos, ajudam a estatal ao permitir a redução dos gastos com as importações de derivados.

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