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''A economia global está se recuperando''

Entrevista - Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI

, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), não tem dúvida quanto à firmeza da recuperação da economia global, ainda que o ajuste fiscal dos países ricos, na sua opinião, vá segurar o ritmo da retomada destas nações por muitos anos. Ele disse também que uma eventual reestruturação da dívida grega não resolveria os problemas do país, que precisa de mais financiamento e mais tempo para poder reformular sua economia.

Como o sr. vê a situação da Grécia?

A Grécia foi e está numa situação macroeconômica muito difícil. Ela precisava de ajuda, nós desenhamos um programa, mas o programa requer reformas estruturais e fiscais, que são muito difíceis de fazer e que tomam tempo. A minha sensação é de que há uma boa chance de que o programa para a Grécia funcione, mas levará muito tempo, talvez uma década.

Mas não está pior do que o Fundo julgou?

Desde o começo, nós achávamos que seria um processo de ajuste longo e sofrido, e está sendo. Mas o que aconteceu não é que a Grécia acabou ficando muito pior do que pensávamos - na verdade, o PIB está mais ou menos onde esperávamos, e a parte fiscal só um pouco pior. O problema é que os mercados ainda estão muito céticos. Nós assumimos que a Grécia poderia retornar aos mercados no meio do próximo ano, e aconteceu que os mercados ainda têm incertezas suficientes para não querer isso.

O que deveria ser feito?

É preciso dar tempo para a economia grega se ajustar, e para isso é necessário substancialmente mais financiamento do que o fornecido até agora.

Quanto mais?

Não vou falar em números, mas mais do que os europeus colocaram até agora.

E o que o sr. acha da ideia de que uma reestruturação da dívida grega é inevitável?

Primeiro, não adiantaria quase nada no lado macroeconômico, e o problema da Grécia é macroeconômico. Além disso, se eles reestruturassem a dívida, também não poderiam acessar os mercados durante algum tempo. Mesmo que a dívida fosse consideravelmente reduzida, os mercados não esqueceriam que alguma coisa aconteceu. Assim, haja ou não reestruturação, seria um longo ajuste, e ainda iria requerer financiamento.

Como o sr. vê a recuperação da economia global?

As pessoas são sensíveis demais ao que aconteceu nesta semana, ou na semana passada. Eu acho que a recuperação está acontecendo, não há nenhuma dúvida. Em primeiro lugar, a grande maioria dos países - não representando a maior proporção do PIB mundial - está indo bem. O Brasil está na linha de frente, mas a maioria dos países asiáticos está indo bem, a maioria dos países latino-americanos também está indo bem.

E as economias avançadas?

Algumas delas, como Grécia e Portugal, estão indo mal, mas em geral as economias avançadas estão numa situação decente. Elas estão crescendo, não é forte o suficiente para reduzir o desemprego suficientemente rápido, mas é uma recuperação. A crise deixou muitas cicatrizes nesses países, então eles de fato não podem crescer muito mais rápido do que estão fazendo, mas estou convencido de que a recuperação vai continuar.

E o problema fiscal dos Estados Unidos e dos países ricos?

Isso vai ser um freio na recuperação por muitos anos, talvez uma década ou mais. Durante esse período, muitos países, como os EUA, vão ter de fazer consolidação fiscal ano após ano, e isso vai desacelerar o crescimento, não há dúvida. Será que dá para ser feito? Acho que sim.

Como o sr. reagiu à saída de Strauss-Kahn, e como avalia o trabalho dele à frente do FMI?

Eu fiquei muito triste. Ele foi um diretor-gerente extremamente bem-sucedido. Ele realmente mudou o Fundo, tanto em termos de pensamento como em criar diversos novos instrumentos. Ele se abriu para os países emergentes, e foi bem-sucedido na reforma do sistema de cotas. Isso é muito para três anos, e esse é um legado que vai ficar.

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