A economia vai mal, mas shoppings de SP nem ligam

Os shopping centers têm sentido menos os efeitos da crise do que outros varejistas. Enquanto os lojistas em geral estão sendo obrigados a fechar as portas ou demitir funcionários, novos shoppings estão sendo construídos ou reformados na capital paulista. Prova disso é o investimento que os shoppings Morumbi e Eldorado estão fazendo em expansão e a entrada da imobiliária portuguesa Sonae no mercado da cidade, com a construção do Boavista Shopping. Sozinho, o Boavista Shopping deve criar 1,8 mil empregos diretos. O custo do empreendimento, que vai ocupar um terreno de 20 mil metros quadrados em Santo Amaro, será de R$ 60 milhões. Somente as obras do Eldorado, que incluem a construção de cinco andares de garagem, 10 salas de cinema e reforma do Carrefour, vão consumir cerca de R$ 10 milhões e gerar 250 empregos diretos. De acordo com o diretor de operações da empresa, Paulo Veríssimo, a previsão é de que, com as mudanças concluídas, o shopping chegue a faturar até 20% a mais do que atualmente. A idéia é transmitir a imagem de um centro classe A, embora ele seja voltado para a classe média. O Morumbi, que também vai modernizar suas salas de cinema, pretende investir R$ 8 milhões. A reforma também prevê mudanças na decoração do shopping. ?O consumidor quer cada vez mais conforto e segurança?É claro que o setor está longe do boom que experimentou no começo da década de 90, mas certamente ainda tem muito chão pela frente. "É absolutamente natural que os shoppings sofram menos do que as lojas de rua, principalmente nos grandes centros. O consumidor quer cada vez mais conforto e segurança", afirma o coordenador do Programa de Varejo (Provar) da USP, Claudio Felisoni. De acordo com um estudo feito pelo Provar sobre a preferência dos consumidores, 43% deles responderam gostar de fazer compras em shopping centers, 14% disseram preferir lojas de rua e o restante mostrou-se indiferente. Os shoppings levam vantagem porque a maioria de seu público pertence às classes A e B de São Paulo, cujo perfil econômico é bem distante do restante do País. Para se ter uma idéia, enquanto a renda mensal do brasileiro é de R$ 600, a do frequentador de shopping é de R$ 2 mil. Outra diferença: 75% do público de shopping tem telefone celular. A média nacional é de 18,5%.

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