Laura Morton/The New York Times
Laura Morton/The New York Times

A era dos drones autônomos já chegou

O R1, equipamento que a americana Skydio vai lançar em três semanas,pode seguir alvos em áreas abertas com destreza – sem ajuda de um piloto

Farhad Manjoo, The New York Times, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 05h00

NOVA YORK - O ano é de 2035, a Segunda Guerra Civil americana foi vencida pelo inimigo, e você se vê em apuros. De repente, por ordem do procurador-geral, você passa a ser perseguido por um drone que tudo vê, equipado com 13 câmeras e que pode se mover de forma autônoma a cerca de 40 km por hora.

O drone reconhece seu rosto, seu modo de andar e até suas roupas. Ele te persegue, seguindo seus movimentos e resistindo a todas as tentativas em despistá-lo. Você pode correr em direção a floresta, mas não será o suficiente para que ele saia de sua cola.

Em um parque cheio de árvores de São Francisco, na semana passada, tive um encontro com um drone voador do gênero – e só encontrei uma maneira de escapar dele. A estratégia envolveu a indignidade de correr em volta de uma árvore repetidas vezes.

O drone que me perseguiu, o R1, foi criado pela startup Skydio. Vai custar US$ 2.499 e começará a ser enviado para consumidores dentro de três semanas. É a coisa mais próxima de um drone autônomo que se pode comprar atualmente.

Houve muito debate sobre voos autônomos, mas até recentemente tudo não passava de conversa. A tecnologia da Skydio sugere um novo momento. Os drones que voam sozinhos – como os da Skydio, voltados para fotografia e vídeo feitos em modo “selfie” – ou a outras finalidades, como delivery, monitoramento e vigilância, vão virar realidade mais cedo do que se pensava. Esses equipamentos serão mais baratos, menores e capazes. E estarão por toda parte.

A maioria dos drones vendidos no varejo têm algum nível de automação. A fabricante chinesa DJI, líder do setor, produz muitos equipamentos que podem evitar obstáculos e “perseguir” indivíduos ou cargas.

No entanto, essas funções tendem a ser falhas e a funcionar somente em espaços abertos. Hoje, quase todos os drones precisam de um piloto. “Nossa visão é de que o uso dos drones será melhor quando esses equipamentos tiverem autonomia”, diz Adam Bry, executivo-chefe da Skydio.

Histórico. Bry é cofundador da empresa, ao lado de Abe Bachrach – seu colega no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e um dos pioneiros do Project Wing, o programa de drones do Google. O outro idealizador da empresa é Matt Donahoe, um designer de interface.

Em 2014, com recursos da empresa de investimentos Andreessen Horowitz, a Skydio começou suas atividades. Desde então, já levantou US$ 70 milhões. Entre os investidores está o jogador de basquete Kevin Durant.

O drone da Skydio não requer piloto. É acionado por meio de um app para smartphone. Para definir o “alvo”, basta que a pessoa se coloque em frente do drone para que o equipamento a reconheça. É possível também definir diversos modos de gravação, especificando em que direção o drone deve gravar. (O equipamento consegue até prever o caminho e se adiantar aos movimentos de seu alvo, garantindo, por exemplo, uma selfie frontal).

Depois da decolagem, o drone opera de forma autônoma. No voo de oito minutos em que o R1 me seguiu, atuou com determinação, evitando obstáculos com a mesma destreza que um piloto humano faria, sem jamais pedir ajuda. O drone se perdeu de mim só uma vez, mas isso exigiu bastante esforço.

Obstáculos. No entanto, a tecnologia da Skydio está longe de ser perfeita. Não funciona bem em dias de tempo inclemente ou à noite. Ela exige um processador de alta potência, que consome bastante bateria. O R1 consegue voar por 16 minutos ininterruptos, ante 20 de seus maiores rivais. No entanto, será vendido com duas baterias, o que permitirá dobrar o tempo no ar após uma troca rápida.

A Skydio também está entrando em um mercado que não tem sido fácil para empresas novatas. Muitas startups de drones se deram mal no mercado, ao não conseguirem competir com a capacidade de inovação e escala da DJI.

“Eu sei que essa tecnologia é mais bem desenvolvida, mas não tenho certeza de que ela seja suficiente para derrubar um gigante como a DJI”, disse Sally French, jornalista que cobre o setor em seu site The Drone Girl. Ela também experimentou o R1 na semana passada.

 

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